morrer

Acalentar!

Ela estava feliz! O bebê nascera forte com quase quatro quilos. É verdade que a gravidez havia sido uma surpresa. Mas havia afeto de sobra, aquela segurança que permite um casal se imaginar envelhecendo.

Eram pobres. Algum sacrifício havia sido feito para que essa criança já viesse ao mundo desfrutando do conforto de um berço e de um quarto improvisado. O garoto de três anos agora dormiria mais no canto para que o berço pudesse compor o diminuto espaço

"O Sétimo Selo" de Ingmar Bergman: Jogando Xadrez com a Morte

 

Tive a grata satisfação de participar recentemente do "Cineterapia", um projeto implementado pelo Centro Acadêmico do Curso de Psicologia da Universidade Estadual do Ceará (UECE).  O objetivo é suscitar discussões de caráter psicológico a partir da linguagem do cinema. Nossa tarefa foi comentar o filme "O Sétimo Selo" (1956) do diretor sueco Ingmar Bergman a luz da Tanatologia. (acesse AQUI a página do "Cineterapia" no facebook)

A Face dos Mortos: Bombas e Bombas

Antes de mais nada, um aviso! Não se  apropriem deste texto para fazer apologia da barbárie. É inaceitável que alguém coloque uma bomba no passeio público para matar e mutilar pessoas indefesas. Mas existe a outra face da moeda. É também inaceitável que um Estado se utilize de sua máquina de guerra para matar indiscriminadamente e dê o nome  disso de "perdas colaterais". A isso intitula-se "terrorismo de Estado".

A Vela na UTI

Uma mulher idosa, parecida com tantas outras, estava morrendo na U.T.I., longe de tudo e de todos. Vivera tanto tempo que já perdera as contas.  As lembranças dessa longa vida eram como fotos embaralhadas de um álbum antigo, de uma maneira em que lentamente ia se perdendo a datação das imagens.


Lembrava-se que havia pedido aos filhos para ir embora pra casa. A resposta, tão parecida com outras tantas, foi mantê-la  presa naquele ambiente insípido, afinal, ali ela poderia ser melhor cuidada. Enquanto houvesse vida haveria esperança.

Não Li e Gostei: Livro Compartilha Experiência com Pacientes em Vulnerabilidade Extrema

Diante de situações que rotulam os pacientes como "terminais" é comum que profissionais de saúde digam: "Não há mais nada a fazer". Essa expressão terrível acaba por chancelar formas de abandono além de sinalizar para a inadequação da formação recebida no campo da saúde, que enfatiza as ações tidas como terapêuticas e subvaloriza o cuidar.

O morrer e a morte

E, no entanto, quanto menos dela falamos, mais dela cuidamos. Ela está presente em todos os nossos desejos, em todas as nossas esperanças. É com a perspectiva surda e muda de sua presença que projetamos nossa ruidosa ilusão. Há algo de sinistro no fato de que só conseguimos acolher a morte negando-a.

Parece que a infinita promessa de que tudo tem valor apenas por que nos leva a outra coisa, reina em nossa comunidade de consumo, em nossa sociedade de progresso e em nossa civilização de saque e colonização. Sonhamos acordados na fé cega de que nada vale em si mesmo, a menos que  traga outra coisa, sempre melhor, sempre diferente.

A aceitação da morte e sua acolhida como a outra face amigável da vida, implica em que deixemos nossa verve infinitamente insaciável...

Autonomia Até o Fim: A Resolução 1995/2012 do Conselho Federal de Medicina

Vamos Imaginar a seguinte situação. É seu aniversário de 75 anos. Você está cercado das pessoas que ama. Organizaram uma festa muito bonita. Nela você vê um pouco o resumo de sua vida projetado na parede naqueles "slideshares" com direito a música de trilha de cinema que arranca lágrima das pessoas.

Enfrentamento do Câncer como ponto de mutação para o Desenvolvimento humano

Independente da idade, nossa geração por força da cultura herdada de nossos antepassados, sempre relacionou o câncer, como uma doença grave, sem cura, caracterizada principalmente pela dor e a inevitável morte.
Apesar da gravidade da doença e das diferentes alterações clínicas, psicológicas, emocionais, sociais e espirituais observados ou não em diferentes tipos da doença, a única certeza que a doença traz, é a de que, o então paciente oncológico, deva se preparar para as muitas mudanças de vida que terá que se adaptar.

Morte: Desalento e Humanidade

Todo mundo morre. Afirmativa aparentemente banal, se expressa  como uma das raras verdades absolutas. Ninguém duvida que morrerá um dia. Aprendemos essa lição desde a mais tenra infância.

 

Entretanto, saber que morreremos  não parece livrar-nos do temor sobre o que acontecerá quando morrermos, seja pelas inúmeras possibilidades que se apresentam (morrer com dor, violentamente, repentinamente, serenamente etc), como sobre o que virá, ou não, depois que morrermos.  A morte é a senhora do desconhecimento.

"Entre a Vida e a Morte": Reflexões a Partir de um Documentário da BBC

  

 

Construir um documentário não é uma tarefa fácil. O primeiro engodo que se pode incorrer é a idéia de que, não sendo uma peça ficcional,o documentário sempre mostraria a "verdade" e, dessa forma, ganha quase de imediato a credibilidade pela forma como "tece" suas imagens. Ora, sabemos das inúmeras mentiras que podem ser urdidas a partir do que se faz numa ilha de edição.Este não é o caso do documentário "Entre a Vida e a Morte" produzido pela BBC.  

 

 

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