tanatologia

"O Sétimo Selo" de Ingmar Bergman: Jogando Xadrez com a Morte

 

Tive a grata satisfação de participar recentemente do "Cineterapia", um projeto implementado pelo Centro Acadêmico do Curso de Psicologia da Universidade Estadual do Ceará (UECE).  O objetivo é suscitar discussões de caráter psicológico a partir da linguagem do cinema. Nossa tarefa foi comentar o filme "O Sétimo Selo" (1956) do diretor sueco Ingmar Bergman a luz da Tanatologia. (acesse AQUI a página do "Cineterapia" no facebook)

A Vela na UTI

Uma mulher idosa, parecida com tantas outras, estava morrendo na U.T.I., longe de tudo e de todos. Vivera tanto tempo que já perdera as contas.  As lembranças dessa longa vida eram como fotos embaralhadas de um álbum antigo, de uma maneira em que lentamente ia se perdendo a datação das imagens.


Lembrava-se que havia pedido aos filhos para ir embora pra casa. A resposta, tão parecida com outras tantas, foi mantê-la  presa naquele ambiente insípido, afinal, ali ela poderia ser melhor cuidada. Enquanto houvesse vida haveria esperança.

Não Li e Gostei: Livro Compartilha Experiência com Pacientes em Vulnerabilidade Extrema

Diante de situações que rotulam os pacientes como "terminais" é comum que profissionais de saúde digam: "Não há mais nada a fazer". Essa expressão terrível acaba por chancelar formas de abandono além de sinalizar para a inadequação da formação recebida no campo da saúde, que enfatiza as ações tidas como terapêuticas e subvaloriza o cuidar.

O morrer e a morte

E, no entanto, quanto menos dela falamos, mais dela cuidamos. Ela está presente em todos os nossos desejos, em todas as nossas esperanças. É com a perspectiva surda e muda de sua presença que projetamos nossa ruidosa ilusão. Há algo de sinistro no fato de que só conseguimos acolher a morte negando-a.

Parece que a infinita promessa de que tudo tem valor apenas por que nos leva a outra coisa, reina em nossa comunidade de consumo, em nossa sociedade de progresso e em nossa civilização de saque e colonização. Sonhamos acordados na fé cega de que nada vale em si mesmo, a menos que  traga outra coisa, sempre melhor, sempre diferente.

A aceitação da morte e sua acolhida como a outra face amigável da vida, implica em que deixemos nossa verve infinitamente insaciável...

Autonomia Até o Fim: A Resolução 1995/2012 do Conselho Federal de Medicina

Vamos Imaginar a seguinte situação. É seu aniversário de 75 anos. Você está cercado das pessoas que ama. Organizaram uma festa muito bonita. Nela você vê um pouco o resumo de sua vida projetado na parede naqueles "slideshares" com direito a música de trilha de cinema que arranca lágrima das pessoas.

Enfrentamento do Câncer como ponto de mutação para o Desenvolvimento humano

Independente da idade, nossa geração por força da cultura herdada de nossos antepassados, sempre relacionou o câncer, como uma doença grave, sem cura, caracterizada principalmente pela dor e a inevitável morte.
Apesar da gravidade da doença e das diferentes alterações clínicas, psicológicas, emocionais, sociais e espirituais observados ou não em diferentes tipos da doença, a única certeza que a doença traz, é a de que, o então paciente oncológico, deva se preparar para as muitas mudanças de vida que terá que se adaptar.

Morte: Desalento e Humanidade

Todo mundo morre. Afirmativa aparentemente banal, se expressa  como uma das raras verdades absolutas. Ninguém duvida que morrerá um dia. Aprendemos essa lição desde a mais tenra infância.

 

Entretanto, saber que morreremos  não parece livrar-nos do temor sobre o que acontecerá quando morrermos, seja pelas inúmeras possibilidades que se apresentam (morrer com dor, violentamente, repentinamente, serenamente etc), como sobre o que virá, ou não, depois que morrermos.  A morte é a senhora do desconhecimento.

É possível uma boa morte: a Reportagem "A Vida por um Fio"

 Reportagem: "A Vida Por um Fio". Assista aqui!

Hoje no Brasil a morte é uma experiência aterrorizante e angustiante para milhões de pessoas. Não porquê esses sentimentos sejam necessariamente inerentes a morte. Na verdade, temos medo de associar à morte aspectos que parecem fazer parte na "mormalidade" dos serviços de saúde.

Quando um paciente é decretado "terminal" é comum ouvir-se que "não há mais nada a ser feito". No entanto, esse é o momento em que tudo pode ser feito para que a pessoa seja revestida de dignidade, conforto e, em muitas circunstâncias, possa ainda vivenciar  até o que se convenciona chamar de felicidade.

"Entre a Vida e a Morte": Reflexões a Partir de um Documentário da BBC

  

 

Construir um documentário não é uma tarefa fácil. O primeiro engodo que se pode incorrer é a idéia de que, não sendo uma peça ficcional,o documentário sempre mostraria a "verdade" e, dessa forma, ganha quase de imediato a credibilidade pela forma como "tece" suas imagens. Ora, sabemos das inúmeras mentiras que podem ser urdidas a partir do que se faz numa ilha de edição.Este não é o caso do documentário "Entre a Vida e a Morte" produzido pela BBC.  

 

 

I CURSO MULTIPROFISSIONAL EM DOAÇÃO DE ÓRGÃOS E TECIDOS PARA TRANSPLANTE

 Curso a Distância
Carga Horária: 60 horas
Professores altamente qualificados (HC-FMUSP, UNIFESP, Santa Casa-SP)
Público alvo: estudantes e profissionais da área da saúde
Início:30 de maio de 2012
Conteúdo:
1- Detecção, identificação e seleção do doador.
2- Manutenção do doador
3-Tanatologia – Educação para a morte
4-Espiritualidade/Religiosidade e transplantes
5-Doador com coração parado (NHBD/DCD)
6-Entrevista familiar para a doação de órgãos
7-Comunicação de más notícias e luto
8-Diagnóstico de morte encefálica
9-Diagnóstico complementar de morte encefálica
10-Manejo do doador com infecção
11-Transplante Intervivos
12-Bioética e transplantes

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