A reforma psiquiátrica e uma nova forma de pensar saúde

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A reforma psiquiátrica e uma nova forma de pensar saúde

Priscila Barbosa da Silva is offline

 

Quando nos referimos a loucura, ou ao que se conhece como tal. Logo remetemos nosso pensamento as pessoas, ao sistema de saúde que as trata, e aos profissionais que se dedicam no cuidado e estudos para que estes tenham condição mais saudável de vida. O artigo, toca em vários aspectos sócio e econômicos que viabilizam ou não a universalização dos serviços de saúde, e como foi de extrema importância, descentralizar o serviços de saúde mental dos manicômios. Fazendo assim como que aconteça uma humanização, dos trabalhadores e profissionais, conscientizando e tomando novas atitudes e formas de tratar.

A reforma psiquiátrica, rompendo com a centralidade dos manicômios, vem trazer uma nova proposta, produzindo conceitos e novas percepções sobre a loucura. Concebendo assim nova visão sobre o sus, no que relaciona-se a uma grande transformação no cuidar e na saúde. Façamos algumas perguntas necessárias para pensarmos em saúde: Que escolhas determinam as necessidades de cuidados da população? Quais seriam as condições para entrar e sair do usuário no sistema de atenção à saúde?

A população do mundo difere em relação a sua qualidade de saúde e do modo de viver, quando vemos aqui uma nova proposta de universalização dos serviços pensamos e muitas vezes nos indagamos sobre essa possibilidade. Quando na verdade, uma universalização apenas pensa em uma nova forma de ver o sujeito. De trazer o usuário de forma que o mesmo seja atendido e conquiste uma vida mais saudável e insira-se novamente na sociedade. Com a reforma psiquiátrica revemos nossos conceitos sobre, saúde, pessoas, transtornos e a individualidade e subjetividade de cada um. Possibilitando uma ampliação de saberes e métodos de trabalho.

O artigo sobre os arranjos da loucura, traz a grande referência de Foucault, para exemplificar e trazer um novo campo de visão. Foucault nos traz elementos que nos fazem questionar o modo como o sofrimento físico, mental, social, econômico vem ganhando cada vez mais o nome de doença mental e se afirma gradativamente em novos arranjos em nossa existência mais comum. E com isso, o poder psiquiátrico vai adquirindo cada vez mais novos poderes em função da proteção, da vigilância e da segurança estatais contra os desvios sociais.

Foucault fala sobre as civilizações modernas e em como separamos o homem em dois atos: Normal e anormal, que pouco sabemos diferenciar, mais que prontamente rotulamos sem saber. No campo da psiquiatria, a coisa toma forma diferente a partir de agora. O psiquiatra, não mais é aquele que busca incessantemente a cura. Mas agora, o psiquiatra passa a ser o profissional que estará ali para dar assistência e proteção ao usuário, e não mais apenas vestir seu jaleco e determinar quem é normal ou louco. As determinações de normalidade iniciam-se logo cedo, quando o artigo nos remete á crianças que tem alguma dificuldade de aprendizado e que logo são rotuladas como atrasadas, que sofrem psiquicamente com a pressão dos adultos e sociedade no que esperam que ela aprenda. Costumamos fazer diferenciações o tempo todo. A sociedade nos impõe que vejamos os outros, radicalmente falando como: Os que servem, e os que não servem. E uma nova psiquiatria, um novo campo profissional para os colaboradores deste quadro vem em auxilio a essa grande conquista que a reforma psiquiátrica fez, que foi fazer com que não haja uma distinção ou mesmo rotulação.

A singularidade, diferença e individualidade agora são trazidas e ajudam a compreender o sujeito e agir da melhor maneira para que este se sinta bem. Os arranjos agora são menos estigmatizados e mais humanizados, não podemos generalizar e falar que em todos os lugares isso acontece, mas acreditar que deveria nos é permitido e ainda acreditar que nós futuros profissionais da saúde, poderemos colaborar para fazer com que essas particularidades favoráveis permaneçam no sistema.

 

Referências.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Saúde Mental / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. – Brasília : Ministério da Saúde, 2015. 548 p. : il. (Caderno HumanizaSUS ; v. 5)

Artigo: Psiquiatrização da Vida: Arranjos da Loucura, Hoje / Tania Mara Galli Fonseca e Regina Longaray Jaege

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 3 COMENTÁRIOS

Maria Luiza Carrilho Sardenberg is offline

Olá Priscila,

Coloquei a foto que você disponibilizou em outro espaço diretamente no post. Se for colocada lá, não aparecerá no post. 

Quanto ao carrossel da rede, a foto foi inserida corretamente.

No link  "ajuda", localizado no canto direito da página inicial, você vai encontrar um ítem sobre a inserção de imagens.

http://www.redehumanizasus.net/ajuda

Seja muito bem-vinda!!!

Paulo Henrique Trennepohl is offline

Boa sua colocação, a reforma psiquiatrica somente veio somar com o desenvolvimento do trabalho desenvolvido por profissionais preocupados com o bem estar dos usuarios, apesar de que atualmente existe muito preconceito e exclusão deste grupo, nos como futuros profissionais devemos repensar diversas formas de intervir nessa lacuna que está aberta ainda, desde que a reforma psiquiatrica começou a ser colocada em prática. Trata-los como humanos, como seres que necessitam de atenção, carinho e respeito, faz com que estes usuarios se sintam melhor. Um grande exemplo que podemos ter é demostrado no filme, Nise – O Coração da Loucura (2015), o qual nos remete a uma metodologia similar de intervenção, onde através das expressões dos pacientes via oficinas de artes, a médica psiquiátrica consegue fazer clínica com seus pacientes, fugindo ao tradicional atendimento. 

Jociana Medeiros is offline

Concordo com sua posição sobre o assunto Priscila, pois foi de suma importância a reforma psiquiátrica, rompendo paradigmas conservacionistas, onde os pacientes com doenças mentais deixaram de ser apenas objeto de saber, onde viviam enclausurados em um manicômio. A partir dessa reforma e com a PNH, se olha para as pessoas de forma mais humanizada, onde os profissionais que atuam neste campo são assim orientados, se desfazendo de rótulos, distinções e preconceitos.

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