JUSTIÇA!!! "O Caso Ana Carolina Cordovil Heiderich" (Reforma Psiquiátria)

Nercinda C Heiderich | dom, 07/03/2010 - 23:03.
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ANA CAROLINA CORDOVIL HEIDERICH SILVA‏
Ela só tinha 18 anos,e foi mais uma vida ceifada pelo criminoso sistema psiquiátrico de nosso país.
POR ESTA E MUITAS OUTRAS VIDAS, PRECISAMOS UNIR FORÇA EM PROL DE UMA URGENTE URGENTÍSSIMA REFORMA PSIQUIÁTRICA ANTIMANICOMIAL NO BRASIL.

DEPOIMENTO DE NERCINDA (MÃE DE ANA CAROLINA)

Internei minha filha no dia 26/11/2006 por volta das 19h. Na Clínica de Repouso Santa Isabel LTDA em Cachoeiro do Itapemirim/ Es. O meu objetivo era a Clínica Capaac por ser bem menor e possuir, apenas cerca de 35 leitos divididos entre masculinos e femininos. Chegando lá o médico nos informa que não tinha vaga e fez o encaminhamento para a Clínica Santa Isabel. Antes de ser atendida lanchou. Como ela queria biscoito de chocolate e dei de morango, por engano, ficou chateada. Logo o médico chegou e pediu que os enfermeiros a levassem para outra sala enquanto ele conversava comigo. Ela perguntou ao médico se não poderia ficar comigo até à hora da internação, ele alegou que era apenas para ver a pressão. Até eu acreditei. Porém, ela perguntou por que ele mesmo, não olhava sua pressão ao que respondeu que, o seu aparelho estava lá dentro. Foi a última vez que nos vimos.

Falei das suas dificuldades, dos medicamentos que ela tomava (trileptal300ml, rivotril2ml, fluoxetina20ml, metformina e glimepirida para controlar a glicose tipo II e que ela nunca tinha tido problema, pois media sempre 113, 123, 124 e poucas vezes chegavam a 145). Mas nunca havia ficado doente fisicamente.

Pedi que não lhe ministrasse Haloperidol, pois era alégica e já tinha sido socorrida na emergência com a língua inchada, para fora após ter tomado 20g de haldol mais um comprimido de akneton em dois dias somando 40g e dois comprimidos de akneton de 1ml.
Para reverter o quadro, a medica plantonista lhe aplicou Decadron e fernegan. Ele anotou, pois me pediu que repetisse os nomes dos medicamentos enquanto escrevia. Esta ficha não consta no prontuário, já que o mesmo me foi negado durante 6 meses.
Pedi a exumação após três dias e só consegui após 7 meses e dezesseis dias com muita insistência.

O médico diz que foi infarto do miocárdio , o legista diz , causa indeterminada, já que o coração estava em perfeito estado de conservação. Porém o pulmão esquerdo estava murcho. Além do tempo ainda os materiais só foram enviados para exame de laboratório depois de 40 dias, assim mesmo porque eu liguei para o IML para saber do resultado, eles não sabiam de nada já que estes materiais ainda estavam aqui em Manhuaçú e só saiu depois que eu falei com a delegada. Liguei outra vez para o IML e a perita me disse que foi impossível detectar a causa pelo fato das víceras estarem e formol o que atrapalha, segundo ela, as investigações. Estas partes não podem ser colocadas em nenhum conservante. Tentei contestar o laudo, mas encontrei dificuldades. O advogado do caso não se pronunciou. Infelizmente parece que neste mundo temos que saber de tudo, o que é impossível.

Ao terminar a consulta quis ver minha filha. Ele me disse que não era possível, pois ela estava sedada. Assustei-me e, falei: O Dr. não deu haldol pra ela! Ele me disse que não e que teria lhe dado apenas diazepam com biperideno.
Ao sair a atendente me pediu que eu deixasse para vê-la após,pelo menos 05 dias até que o paciente se habituasse no ambiente. Eu ligava cerca de três a quatro vezes por dia e só recebia boas notícias. Ela está bem!Mas não podia falar com opaciente hora nenhuma pelo telefone.

No final de 05 dias, fui visitá-la, mas cheguei depois da visita por causa de atraso do carro que nos levou. Mesmo assim o atendente me deixou vê-la, mas fui convencida sutilmente, por uma enfermeira a deixar a visita para segunda feira, uma vez que era o dia da reunião e ainda era muito cedo, já que agora era que eles estavam conhecendo o seu problema e que a minha visita poderia interromper o tratamento. Deixei uma bolsa com várias peças de roupas, maçãs, e voltei chorando, mas nunca me passou pela mente que ela corria risco de morrer.

Cheguei na segunda feira às 11h. Dirigi-me a assistente Social, me identifiquei ao que me respondeu que esperasse à hora da visita oficial às 13,30h. Quando fui entrar no pátio de visitas, ao mencionar o nome da paciente fui barrada e levada de volta para a sala da assistente Social onde gritei, rolei pelo chão, não sabia mais o que fazer. Minha única filha estava sem vida com apenas 18 anos. 04/12/2006
Quando consegui o prontuário vi que o médico não só prescreveu haldol, como em doses altíssimas [10mlde haloperidol;300ml de amplictil,4ml de biperideno além de Daonil. Só Daonil não era injetável. Cheguei à triste conclusão. Os medicamentos eram injetáveis porque ela não aceitava tomar haldol pois tinha plena consciência do mal que lhe causava. E lá eles são obrigados a tomar os medicamentos que é para manter a ordem. Se quiserem explicações de como lá funciona entrem em contato com Cassiane Cominiti Abreu Graduada em serviço sicial na UFES Cassiane abreu< cassiufes@yahoo.com.br>
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Voltei a clínca no dia 08/12/2006 para mais esclarecimento. O diretor Agostinho Sergio Fava Leite nos disse que ele soube que ela havia caído.já que eu havia constatado um grande hematoma em sua cabeça da orelha para cima no lado direito no dia do seu falecimento e meu sobrinho, no dia do velório, constatou hematomas na parte inferior do braço e na costela do mesmo lado. No dia 08 me acompanhavam: Alcinéia o advogado Dr. Ernesto e o motorista Gilcemar que presenciou uma senhora conversando comigo no pátio a qual me disse que era quem dava banho em minha filha,que lavava suas roupas e que lhe deixara muitas recordações. Fiquei mais uma vez surpresa Ana Carolina era totalmente independente.

No prontuário consta que ela estava em estado de prostração e que nos dia 02e03/12/2006 o clinico geral Dr. Sergio Serafim Costalonga passou a ministrar-lhe 40g de buscopan+40g de elixir paregórico, pois ela estava com diarréia em grande quantidade.
Denunciei ao MP por orientação do Médico que lhe acompanhava a cerca de 3 anos mais ou menos, ao CRM e a Comissão de Direitos Humanos do Estado do ES.

A investigações da Polícia Civil, na minha opinião muito deficiente. O primeiro delegado não deu conta do inquérito. O segundo chegou a me dizer que estava confiante que iríamos a júri mais foi transferido. O terceiro já concluiu dizendo que: não encontrou fundamento suficiente para indiciamento dizendo que eu sublimasse a minha dor de outra forma, que tinha mais coisas para fazer e desligou o telefone, já que eu insistia na intimação de mais pessoas para serem ouvidas, uma investigação mais apurada dos fatos e acareação entre o Dr. Clínico Dr. Agostinho Fava Leite, o Médico responsável Dr. Silvio Romero de Sousa França e Maria das Mercês dos Santos a serviçal que mudou todo o seu depoimento, o Dr. Ernesto advogado que conversou em particular com o Dr. e achou que eu não deveria representar contra a clínica.

Suspeitas: Hipoglicemia, overdose medicamentosa, além da alergia ao haldol, tombo,
Enfraquecimento, já que ela não se alimentava o que é de se estranhar para uma pessoa que não dispensava uma refeição, se quer. E que tínhamos que ficar de olho já que ela estava acima do peso normal. Mais um motivo para que ele tomasse mais cuidado, embora ela era muito ativa, inteligente, não sentia nem mesmo dor de cabeça, o que era raro.

Estado/cidade: Canafístula   

Comentários

Ana Carolina

Oi Nercinda,

Pela segunda vez leio o relato da tragédia ocorrida

com a sua filha, e fico muito sentida, angustiada mesmo

com o que aconteceu e me solidarizo com você.

A perca de um filho em qualquer situação, deve

ser muito dolorosa, e da forma como aconteceu com

a sua filha, mais ainda.

Acredito que nenhum pai e ou mãe esteja preparado

para a perda de um filho. Aliás, nós pais esperamos ser

enterrados pelos os nossos filhos, e não o contrário.

Compreendo a sua dor e deve mesmo insistir nessa

luta pela consolidação da reforma psiquiátrica.

Conte com todos nós da rede!

Um abração!!!

Emília

Dor e movimento!

Teu post nos fala da dor de sofrer uma perda, mas nos fala muito mais alto da força que não cala, que não tem medo da luta, que segue em movimento no sentido da justiça.

A morte aqui tornou-se bandeira de fé na vida, de acreditar que a justiça sempre vence e que nenhum mal é tão terrível que não possa gerar o bem.

Tua luta não é solitária e não será em vão!

Ana Carolina traz luz a nossas vidas, com seu sorriso de esperança para que a justiça se faça nestes tempos de conflito.

Patrícia S. C. Silva

Blumenau SC
 

Nenhuma Palavra

Nercinda!

Nenhuma palavra pode aplacar a dor de uma mãe que perdeu uma filha. Nas circunstâcnias em que ocorreu a sua perda, a aridez das palavras é do tamanho do universo. Sinta-se acolhida em sua dor e no que depender da gente, o clamor por justiça não vai perder força. Um milhão de abraços!

Querida Nercinda

Querida Nercinda,

Faço leituras e releituras de teu relato na tentativa de buscar palavras que te apoiem e te fortaleçam, mas elas não vêm. Sinto profunda dor.

Quero reafirmar minha indignação, mas, principalmente, a minha imensa admiração pela tua persistência; pela trajetória de lutas que vem travando no dia a dia: abrindo portas, cavando e ocupando espaços, correndo o mundo, ensinando a não desistir.

Quem sabe nos encontramos na conferência de saúde mental...

Um terno e longo abraço,

Jacqueline

P.S. Os olhos de Ana Carolina iluminaram a página da RHS. Linda foto!


 

Que o brilho dos olhos de Ana Carolina e o teu olhar

Jamais nos deixem dormir.

Sinto uma vergonha imensa  e irreparável!

Que tuas lutas não sejam em vão e teus sentimentos e tua voz te transportem para todos os espaços possíveis e que te encoragem para seguir a batalha.

Ana Carolina olhe por nós!

Com carinho e muito afeto

Cláudia

 

os olhos de Ana Carolina nos tocam profundamente!!!

 

Claudinha, que a força de Nercinda e sua linda filha, Ana Carolina, aumentem a nossa força para continuarmos a luta por justiça e liberdade!!! No Dia Internacional das Mulheres, este post, publicado pela companheira  Nercinda, veio mostrar do que é capaz uma mulher, uma mãe, uma militante incansável pelos Direitos dos Sujeitos Humanos -portadores de sofrimento mental .

Grande abraço e beijos prá  vocês, mulheres da Rede HumanizaSUS e da luta/movimento antimanicomial, e que esta Conferência Nacional que acontecerá em breve,  faça avançar as conquistas e a solidariedade entre tod@s implicados com a produção de saúde em nosso país.

Ana Rita Trajano

Nercinda, seu relato me

Nercinda, seu relato me incomodou muito, por sentir teu sofrimento em escancarar os fatos em busca de uma explicação lógica para o que aconteceu e  não ser acolhida pelo estado. Não desista! ocupa os espaços de participação social, como sugere a Shirley, certamente encontrará apoio de outras pessoas. Daqui de longe, vamos repassando seu relato aos colegas e amigos trabalhadores e usuários do SUS, para que tenhamos o exemplo do que uma inabilidade profissional pode causar na vida das pessoas.

Abraços,

Alessandra

Nercinda , lembro-me bem

     Lembro-me bem do dia em que li  o email do teu relato , na primeira vez que escreveste para a RHS, e o Ricardo acolheu a tua dor via on-line. Eu estava nas salas frias da gestão da SESAP, com uma vontade imensa de poder te acolher presencialmente na escuta, e no abraço de fortalecimento para levar em frente esta luta, e a tua determinação de buscar justiça.

      Penso que nós profissionais da Saúde , ligados a reforma da saúde mental neste país, devemos te dar todo apoio e esforços para que estejas presente na CONFERENCIA NACIONAL DE SAÚDE MENTAL que ocorrerá este ano.

      Os estados já estão se reunindo em Mini-Conferencias locais, para formar suas comissões e planejar as representações de profissionais, usuários, familiares e vários setores da sociedade.

      Como está o teu interesse em relação a isso ??

      Beijos, e um Abraço.

      Shirley Monteiro.

      Natal-RN

Respondendo

 Obrigada por ler o meu post e comentar.!

  Claro que o meu interesse é muito grande. O que ocorre que nem aqui, nem na cidades mais próximas, este assunto não está sendo abordado.  parece que a área da saúde, daqui não estão interessados. Contudo, vou tentar falar novamente sobre o assunto.

Eu gostaria de participar embora não seja da área.

Abraços

Nercinda

Voce é da área sim !

  Querida Nercinda,

      é claro que voce é da área !! Não como profissional Psi, ou trabalhadora do SUS, mas como pessoa, e mãe !!!  Os  movimentos da Saúde Mental são exemplo de pioneirismo  na inclusão e participação dos usuários e seus familiares, nestes eventos como as Conferencias de Saúde Mental. Aqui em Natal, estamos desde 2009   renovando o movimento local com a ABRASME- Associação Brasileira de SM , cujo a sede fica em Santa Catarina, sendo de lá o Presidente ou coordenador nacional.  Vou pedir para a  Presidente da ABRASME RN , Maria do Carmo fazer contato com ele, que se chama Walter e é prof. da UFSC.

     Jacqueline, vamos juntas falar com Maria do Carmo e Karenina ?

     Meta: Chegar no Walter, presidente ABRASME nacional e pedir apoio para a Nercinda comparecer .

     Ah !!  Poderia ser uma ação da PNH também, apoiando a participação bem efetiva  da Nercinda na Conferencia. Vamos falar com o Dário ?  Vou tentar abrir uma Roda virtual para discutirmos a idéia, pelo método da tríplice inclusão, subjetividades e o coletivo estão bem claros, e a "pertubação", ou possível tensionalidade que podemos encontrar chama-se :  recursos financeiros e abertura política para inclui-la na programação, a partir das várias comissões da Conferencia Nacional, que organizam a programação.

     Nercinda, vamos pensando e conversando, certo ? Para tentarmos por esta idéia para frente, é necessário mesmo antes ter certeza que voce quer ir, e participar da luta com o seu relato na Conferencia. Tem que ser um desejo seu, não só da gente !! Por isso é importante que saibas que acolhemos também o teu direito de dizer " não quero

      Um forte abraço !!

      Shirley Monteiro.

 

  

 

 

Luta Antimanicomial

 Shirley Monteiro.

Será uma oportunidade única. Quero e muito.

Estou à disposição e espero poder ajudar, pois é este o meu objetivo.

Aqui, temos outros que esiveram inernados nesta clínica e confirmam o que acontece lá dentro. Porém, não querem se envolver, com a justiça, diratamente.

Um beijo e um abraço bem apertado à todos da RHU, principalmente oas que esão tendo tempo pra ler, comentar. Compreendo que são muitas matéria que surgem e nem todas agente consegue acompanhar com gostaríamos.

Nercinda 

Nercinda...

Eu só queria poder te dar um abraço bem forte, querida.

Um Bjo no teu coração,

Luciane/São Sépé-RS

Respondendo

 

 

Obrigada! Luciane.

Estou me sentindo o calor do seu abraço, mesmo virtual.

Bjus!!!

Nercinda