Prá não se acomodar!

Eliana Siqueira | dom, 20/09/2009 - 18:33.
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No Caminho, com Maiakóvski  (Eduardo Alves da Costa)
"Assim como a criança humildemente afaga a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro com um poeta soviético.
Lendo teus versos, aprendi a ter coragem.
Tu sabes, conheces melhor do que eu a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores, matam nosso cão,
e não dizemos nada."
Até que um dia, o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e, conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
Nos dias que correm a ninguém é dado
repousar a cabeça alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas amanhã, diante do juiz,
talvez meus lábios calem a verdade
como um foco de germes capaz de me destruir.

Comentários

Sussurros

Querem que eu diga a verdade

Mas de que verdade  falam?

Das mentiras inscritas nos livros santos?

Das letras dos hinos nacionais

Respingadas de sangue?

Querem que eu paciente caminhe

Pelas estradas da normalidade constitucional

Quantos mortos lhe serviram de pavimento....

Quantas lágrimas salpicam suas pedras...

Querem que eu cometa o atrevimento

De prometer juras eternas

Eu que a qualquer hora me acabo

Neste mundo que a qualquer hora evapora

Não me cobrem nada além do meu presente

Não se pode pedir que as pessoas morram

De maneira bem comportada

Em filas nas calçadas.

Diante de cartões corporativos

Um AR-15 não é nada!

Por isso não me fale de "verdades"

Minha voz, minha garganta

Formam tuas aspas!

 

ERASMO RUIZ