A reabilitação psicossocial, uma abordagem necessária.


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A reabilitação psicossocial, uma abordagem necessária.

Dirlene Sauzem is offline

      Durante a aula de Introdução à psicologia o professor Douglas Casarotto nos fez uma proposta desafiadora de participar da Rede humaniza SUS e elaborar um post a partir de um livro ou artigo escolhido por nós. Já gosto muito da prática do Caps e através deste artigo que escolhi pude refletir sobre a importância do mesmo para a reabilitação e inserção das pessoas com transtornos mentais na sociedade.

      Depois que conheci a abordagem da psicologia da saúde pude observar que as concepções e práticas de saúde, segundo o novo paradigma da Reforma Sanitária e Psiquiátrica, não comportam mais um olhar fragmentado do sujeito, visualizando apenas a doença, passou-se então a observar o sofrimento do sujeito, o que engloba a sua história, o seu contexto objetivando uma valorização do cuidar e no meu entendimento a reabilitação psicossocial é essencial neste processo.
      De acordo com Saraceno (2001) a reabilitação psicossocial é um conjunto de estratégias que aumenta a capacidade do usuário de estabelecer trocas sociais e afetivas nos diversos cenários: em casa, no trabalho e no tecido social. Assim como Benneton (1991) nos coloca que “priorizar o social em reabilitação psicossocial implica em sair de centros de reabilitação, hospitais e de oficinas abrigadas, para criar espaços de intervenção na própria comunidade”.
      A terapeuta ocupacional Francilene Rainone através deste artigo abordou uma das atividades realizadas pelo Cais mental centro, o projeto INSERE que viabiliza a inserção dos portadores de transtornos mentais graves em um campo amplo da sociedade oportunizando-lhes crescimento, amadurecimento e relações sociais. O projeto foi muito elogiado, pois foi uma maneira de fazer com que estas pessoas voltassem a investir na sua vida, a se sentirem importantes e capazes através da inserção em várias instituições, nas quais aperfeiçoaram seus conhecimentos, colaboraram e puderam repensar e ressignificar sua história pessoal.
      É muito importante repensarmos as práticas em saúde para que sempre estejam sendo criadas novas políticas públicas que tenham como perspectiva, por exemplo, o engajamento na vida comunitária sujeitos como estes, que pela sua condição psíquica, eram até então internados em instituições sem perspectiva de reconstruir suas vidas.
      E assim termino dizendo que vejo na reabilitação social não somente uma forma de inserção das pessoas com sofrimento psíquico grave na sociedade, mas sim uma forma de fazer-lhes repensar sua trajetória, investir em relações sociais significativas e reconstruir suas vidas, pois a única coisa que eles tem diferente de nós é a forma de pensar e viver a vida.

 

 

 2 COMENTÁRIOS

Douglas Casarotto de Oliveira is offline

Oi Dirlene, seja bem vinda!!

Bem interessante te ver escrevendo de maneira tão apropriada sobre a reforma psiquiátrica, atenção psicossocial...

Espero que a realização deste trabalho e a interação nesta rede produza diferença na tua formação. 

Abraço

Douglas

 

 

Dirlene Sauzem is offline

Realmente me interessei muito por este assunto, e vejo sim que não só a interação na rede mas como a prática em sala de aula e estágios está proporcionando uma mudança em mim e em todos meus colegas, pois já podemos perceber que o olhar sobre o sujeito biopsicossocial está se ampliando a cada dia e ocupando seu espaço na área da saúde. É uma grande evolução....

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Rede Humaniza FMUSP-HC is offline
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Música e Memórias no Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP

A leveza da voz e a magia do som do violão do trio musical Casa da Serenata tomou conta do Instituto do Coração (InCor), espalhou-se pelo hall de entrada do hospital, pelas enfermarias e U.T.I’s infantis, em abril de 2016.

As crianças cantaram cantigas de roda com suas mães, dançaram nos berços, os idosos emocionados viram despertar lembranças adormecidas da juventude. Os profissionais paravam para ouvir e pediam suas canções preferidas, cantando e sorrindo, num breve intervalo de seu cotidiano agitado e corrido com suas múltiplas atividades.

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Daniel Catoira is offline
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Quem faz o acolhimento? Aonde?

 

O acolhimento ainda é visto por muitos profissionais de saúde como uma atividade única que ocorre na entrada de serviço ou em uma sala específica com procedimentos como a classificação de risco, mas deve ser muito mais do que isso.

O acolhimento propõe uma mudança não só na porta do serviço ou no uso de pulseirinhas coloridas. O acolhimento propõe uma mudança na forma como as relações acontecem dentro de um serviço de saúde, o atendimento inicial é apenas uma parte - e muito importante - dele.