Blog de ritalmeida

18 de maio: Dia Nacional de Luta Antimanicomial. Novos muros, velhos alicerces.

A maior missão dos dispositivos inventados pela Reforma Psiquiátrica Brasileira sempre foi desconstruir o modelo manicomial. Mas quando falamos em desconstruir o manicômio, não falamos apenas em desconstruir os edifícios, mas, sobretudo, a mentalidade manicomial, ou o modo manicomial de compreender. 

 

Isso quer dizer que, mais do que criar uma instituição em substituição à outra, o que se pretende é uma mudança de paradigma, uma mudança na maneira olhar as nossas loucuras ou doenças mentais, uma mudança na concepção de tratamento e cuidado, e a desconstrução de um princípio tradicional e clássico no tratamento das enfermidades mentais: de que é preciso isolar para tratar. E foi para isso que os manicômios criaram seus muros.

A ditadura da felicidade


Por Rita de Cássia de A. Almeida
Psicóloga/psicanalista da Rede de Saúde Mental do SUS.


Há mais de 15 anos que o meu trabalho cotidiano tem sido - para resumir em algumas poucas palavras - escutar o sofrimento alheio e, por opção, atuando na saúde pública. E durante esse percurso profissional testemunhei uma mudança muito interessante na minha prática clínica. Sofremos por diversos motivos e de diferentes formas e, pela minha experiência, o motivo do sofrimento não mudou muito, no entanto, a demanda que as pessoas tem feito quando estão em sofrimento mudou significativamente. 

A contribuição ética da psicanálise para a sociedade atual

por: Rita de Cássia de Araújo Almeida
psicanalista

Nietzche lamenta que o ocidente moderno tenha promovido a negação da natureza trágica do homem. Segundo o filósofo, a era moderna reprimiu "homem trágico" para dar lugar ao "homem teórico": o homem centrado, senhor de si, racional e, portanto, capaz de criar um método para conhecer e controlar o mundo que o cerca. Assim se confirmaria o ideal propagado na modernidade, pela via da razão teríamos todas as respostas.

Inauguração da nova sede do CAPS CasAberta Dr. Luiz Eugênio Godinho Delgado"


Lima Duarte, 29 de junho e 2012

Drogas e situação de rua: o “Consultório de Rua” como estratégia.

Esta semana tive a grata satisfação de participar de uma reunião entre o Departamento de Saúde Mental de Juiz de Fora e a Secretaria de Assistência Social, cujo objetivo era apresentar o "Consultório de Rua": modalidade de intervenção implantada no município há cerca de dois meses, com o propósito de ofertar ações de proteção, promoção, cuidado e prevenção em saúde para população em situação de rua.

A epidemia de doenças mentais

 
Por Rita de Cássia de Araújo Almeida
psicanalista

Não é necessário ser especialista para ver "a olho nu" o que algumas pesquisas, aqui e acolá já constataram: as desordens psíquicas ou psiquiátricas estão em uma reta ascendente, e o que é pior, sem perspectivas de estabilização ou redução. Diante desta realidade, as perguntas que vou fazer a seguir não são de modo algum inéditas, mas precisam ser repetidamente levantadas: Será que estamos mesmo adoecendo mais da nossa psique? Ou será que estamos apenas conseguindo diagnosticar, pelo avanço das ciências médicas e psicológicas, problemas que antes não conseguíamos? Ou será ainda que ampliamos tanto o limite do que é considerado "patológico" que transformamos todos em doentes mentais?

O que fazer com as cracolândias?

por: Rita de Cássia de Araújo Almeida
psicanalista, trabalhadora da rede de saúde mental do SUS

Responder a esta questão tem sido um desafio. E as respostas, em geral, têm se sustentado num discurso meramente higienista, cuja pretensão é, simplesmente, limpar certos locais do que a sociedade atual enxerga como lixo: certos usuários de droga, especialmente os de crack. A decisão de vários municípios, seja por intermédio da justiça ou por mera intervenção do poder público, tem sido a de promover a retirada das pessoas desses lugares sob as mais diversas alegações: de que estão infringindo a lei, perturbando a ordem pública ou de que precisam ser deslocadas para locais de assistência e tratamento. 

Bullying e judicialização das relações pessoais

 por Rita de Cássia de A Almeida 

"O SUS que não se vê"

por Rita de Cássia de Araújo Almeida 

trabalhadora e usuária do SUS 

Este mês a Revista Radis da Fiocruz publicou excelente matéria intitulada: "O SUS que não se vê" que trata de mostrar o real tamanho e abrangência do Sistema Único de Saúde. O ensaio se baseia em dados colhidos por pesquisa do IPEA, publicados em fevereiro. Segundo tais dados cerca de 34% da população afirma nunca ter utilizado o SUS e também revelam um dado curioso: o sistema de saúde brasileiro é mais bem avaliado por aqueles que costumam utilizá-lo. Partindo de tais dados a publicação propõe algumas discussões interessantes que desmistificam equívocos e preconceitos relacionados à idéia que a maioria de nós faz do nosso sistema público de saúde.

Saúde não dá no hospital nem no posto

por Ana Reis*

Desde o fim da ditadura, os movimentos sociais, os feministas inclusive, e com muita força, têm lutado por políticas públicas para impedir a destruição neoliberal do sistema público de saúde, exigindo que os serviços melhorem e se multipliquem.

O acesso a serviços de qualidade tem que ser garantido para todas e todos. Mas…  será que isso basta para ter saúde? O que deixamos de fora da agenda quando na pauta "saúde" as reivindicações ficam centradas nos  serviços médicos?

Uma comunidade que não disponha de renda, comida, água limpa, esgoto sanitário, coleta de lixo e habitações dignas e mesmo assim tenha acesso a um hospital com as últimas tecnologias de diagnóstico, tomografia e ressonância magnética vai ser saudável?

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