Na sala de espera lotada da unidade de saúde, o misto de vozes, as queixas impacientes, o vai e vem de pessoas e os ruídos persistentes dos cansados ventiladores de teto parecem compor algo que traduz o conturbado ambiente do trabalho em saúde na atenção "básica".
Entre outros tantos usuários em busca de atendimento, um senhor magro, cabelos grisalhos, roupas gastas, aproxima-se da sala de curativos. Não se deixa anunciar. Olhar sério, bate à porta com a bengala, insistentemente. Há um mês, comparece à unidade para o curativo de uma úlcera no membro inferior. Enquanto carrega pesadamente a perna enfaixada, sua expressão agressiva e o forte odor espalhado pela ferida afastam as pessoas do seu caminho.