Blog de Erasmo Ruiz

"O Sétimo Selo" de Ingmar Bergman: Jogando Xadrez com a Morte

 

Tive a grata satisfação de participar recentemente do "Cineterapia", um projeto implementado pelo Centro Acadêmico do Curso de Psicologia da Universidade Estadual do Ceará (UECE).  O objetivo é suscitar discussões de caráter psicológico a partir da linguagem do cinema. Nossa tarefa foi comentar o filme "O Sétimo Selo" (1956) do diretor sueco Ingmar Bergman a luz da Tanatologia. (acesse AQUI a página do "Cineterapia" no facebook)

A Face dos Mortos: Bombas e Bombas

Antes de mais nada, um aviso! Não se  apropriem deste texto para fazer apologia da barbárie. É inaceitável que alguém coloque uma bomba no passeio público para matar e mutilar pessoas indefesas. Mas existe a outra face da moeda. É também inaceitável que um Estado se utilize de sua máquina de guerra para matar indiscriminadamente e dê o nome  disso de "perdas colaterais". A isso intitula-se "terrorismo de Estado".

A Vela na UTI

Uma mulher idosa, parecida com tantas outras, estava morrendo na U.T.I., longe de tudo e de todos. Vivera tanto tempo que já perdera as contas.  As lembranças dessa longa vida eram como fotos embaralhadas de um álbum antigo, de uma maneira em que lentamente ia se perdendo a datação das imagens.


Lembrava-se que havia pedido aos filhos para ir embora pra casa. A resposta, tão parecida com outras tantas, foi mantê-la  presa naquele ambiente insípido, afinal, ali ela poderia ser melhor cuidada. Enquanto houvesse vida haveria esperança.

Não Li e Gostei: Livro Compartilha Experiência com Pacientes em Vulnerabilidade Extrema

Diante de situações que rotulam os pacientes como "terminais" é comum que profissionais de saúde digam: "Não há mais nada a fazer". Essa expressão terrível acaba por chancelar formas de abandono além de sinalizar para a inadequação da formação recebida no campo da saúde, que enfatiza as ações tidas como terapêuticas e subvaloriza o cuidar.

O Preconceito Nosso de Cada Dia Nos Tire Hoje

O pais está em meio ao que se convencionou chamar de "Guerra Cultural". A frente de batalha mais visível é o complexo conjunto de discussões em torno dos direitos das pessoas homossexuais. Mas escaramuças importantes reverberam também sobre a ampliação do direito à prática do aborto legal, questões bioéticas no final da vida (legalização da prática da eutanásia e do suicídio assistido). Parte dessa guerra pode estar acontecendo agora em nossas casas quando muitos criticam a ampliação dos direitos trabalhistas das empregadas domésticas. Essas questões reverberam posições apaixonadas. Entretanto, reverberam também preconceitos que podem se disfarçar ora de prédica religiosa, ora de análise econômica.

Cães e Gatos No Albert Einstein

Muito interessante  notícia publicada hoje na "Folha de São Paulo" sobre a visita de animais a seus donos no Hospital Albert Einstein!

Alguns paradigmas em saúde precisam ser quebrados. Estabelecem regras com base em situações e conhecimentos que perderam o sentido de sua abrangência original. Por exemplo. A ideia de assepsia levada às últimas consequências precisa ceder espaço para a construção de projetos terapêuticos singulares e as necessidades emocionais e afetivas de pacientes e trabalhadores.

Por que um hospital não pode receber os animais de estimação dos usuários? E indo mais adiante, por que um hospital não pode reproduzir no seu interior outras instâncias da vida cotidiana como teatro, cinema, comércio, espiritualidade, festividades? 

Páscoa, Cinema e Liberdade

Era abril de 1971 ou 1972...não consigo me lembrar ao certo. Com pouco menos de 10 anos já adorava cinema, não propriamente o que uma criança deveria assistir. Achava os desenhos animados muito chatos. A fórmula "desenho musical" não me atraia. Alias o gênero musical sempre me pareceu uma coisa estranha, afinal, a gente não  vê as pessoas cantarolando pelas ruas com tanta facilidade.


Naquele dia eu conheci "Deus", o roteirista e ator principal de "Os 10 Mandamentos", reprise imperdível  na semana santa entre outros tantos filmes de perfil religioso.

SANTA MARIA: Dor, Náusea e Afeto

Nos últimos dias o país foi tomado pela dor...dor  absoluta...nauseante.... dor triste que emana das cinzas de Santa Maria. Assaltados pela perplexidade, gradualmente somos informados das histórias de vida e morte. Pequenos gestos de grandeza absoluta. Atos de heroísmo anônimo. Coincidências que produzem a tentação de se acreditar no destino, telefonemas que salvaram vidas, convites afetuosos que inadvertidamente produziram a morte. Os mortos são mostrados em sua face vital, em fotografias sorridentes, cheios de vida e futuro. Não há como controlar a comoção que isso provoca e as lágrimas brotam naturalmente!

 

São Paulo

São Paulo continua fascinante, um cadinho molhado do mundo... chove ... chove....chove e ainda assim ela não perde o seu movimento, frêmito de vida e morte que se misturam com o monóxido de carbono em meio ao verde cinza das árvores. Edifícios despidos de cartazes nos mostram sua verdadeira face, envelhecem preguiçosamente exibindo todos os matizes do concreto. E o mais incrível: motoristas param solenemetne apressados diante das faixas de pedestre!


Sinfonia Paulistana
Billy Blanco

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