Pacientes reescrevem suas histórias nas Residências Terapêuticas

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Pacientes reescrevem suas histórias nas Residências Terapêuticas

Emilia Alves de Sousa is offline

Edileuza Lima, Assistente Social e Coordenadora da Residência

O Estado do Piauí conta atualmente com sete residências terapêuticas para atendimento aos pacientes com transtorno mental oriundos do sistema hospitalar psiquiátrico. Depois de 16 anos de tratamento em regime hospitalar, enfim, o paciente Antônio Vieira, de 59 anos, é acolhido numa residência terapêutica, em Teresina, para continuidade do seu tratamento de forma desinstitucionalizada. Confira a matéria na íntegra publicada no portal da ASCOM/SESAPI!

 

Pacientes reescrevem suas histórias nas Residências Terapêuticas

A história do Antônio Vieira, 59 anos, tem altos e baixos, como a vida de qualquer pessoa. Para ele, especialmente, por ter transtorno mental, a ambivalência, diagnosticada aos 19 anos de idade, o levou a cometer um crime e passar 16 anos internado no extinto Hospital Penitenciário Valter Alencar e Hospital Areolino de Abreu. Atualmente, Antônio é atendido por um dos programas da Secretaria de Estado da Saúde que acolhe e assiste pacientes numa das sete Residências Terapêuticas.

As Residências Terapêuticas são uma das alternativas de atendimento aos pacientes com transtorno mental oriundos do sistema hospitalar psiquiátrico, inclusive o do sistema prisional, que não possuem vínculo familiar e passaram dois anos ou mais internados, tornando-se um novo lar para esses indivíduos.

A assistência humanizada à população com transtorno mental é uma das propostas do Governo do Piauí que se alinha à Luta Nacional Antimanicomial, comemorado dia 18 de maio, que permite um tratamento mais adequado e comunitário. Com isso, o Estado sai da perspectiva de um atendimento concentrado nos hospitais psiquiátricos e passa a desinstitucionalizar o tratamento, reinserindo o paciente à sociedade, como o Antonio Vieira. 

Morador de uma Residência Terapêutica, localizada no bairro Monte Castelo em Teresina, o agricultor reescreve sua história num lar que pode chamar de seu, tendo companheiros e acolhimento profissional, como se fosse uma família. 

“Minha casa é uma maravilha, um amor, gosto muito de morar aqui, me dou muito bem com meus amigos. Sempre vamos para o CAPS fazer atividades lá, oficinas, terapia. Adoro quando pintamos e fazemos artesanato, mas eu gosto mesmo é quando o professor bota a gente pra dançar”, disse Antonio, referindo-se ao acompanhamento feito por um profissional de educação física, que semanalmente vai até à residência realizar atividades, mantendo a saúde física dos pacientes, reduzindo o risco de doenças relacionadas ao sedentarismo e sobrepeso.

Esses locais proporcionam o retorno desses pacientes ao ambiente comunitário com o propósito de humanizar a assistência psiquiátrica. Atualmente, o Piauí possui sete residências terapêuticas. Esse modelo, tido como referência nacional, mostra que a evolução desses pacientes é possível por meio de convívio social e assistência em rede ligada à Unidade Básica de Saúde e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

Os tratamentos medicamentosos e psiquiátricos continuam sendo ministrados na residência, com acompanhamento multiprofissional e cuidadores que os assistem 24h por dia, dividindo-se em regimes de plantões e preparados para atender às peculiaridades de casa residente. Na assistência multiprofissional, o acompanhamento de assistente social, psicólogos, psiquiatras, educadores físicos e terapeutas ocupacionais, além de uma coordenadora responsável pela residência. 

A coordenadora da residência, Edileuza Lima, relata sobre a resocialização dos residentes “nossa maior dificuldade é desinstitucionalizar a cabeça das pessoas, inclusive dos próprios profissionais que lidam diretamente com eles. É muito difícil botar na cabeça da população, que essas pessoas, mesmo com certas limitações, são capazes como qualquer um de nós, e que possuem sentimentos e direitos”.

Edileuza comenta que a vizinhança, desta residência especificamente, é um pouco relutante na interação com aos pacientes. “Há um salão de beleza localizado na frente da residência, no qual a dona se recusa a atender duas moradoras, então temos que nos deslocar numa distância maior para elas possam cortar o cabelo. Desconstruir o preconceito na cabeça dessas pessoas e mostrar que esse modelo de tratamento fora do hospital é possível, infelizmente ainda é muito difícil,”.

O atendimento nas Residências Terapêuticas é feito em parceria com a Secretaria de Estado da Justiça, Ministério Público e Poder Judiciário, integrando a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade no Sistema Prisional.

Por: Denise Nascimento 

Assessoria de Comunicação SESAPI

 

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