Residentes inseridos na Estratégia de Saúde da Família Indígena

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Residentes inseridos na Estratégia de Saúde da Família Indígena

mateus duarte is offline

Há pouco mais de um ano, nós da Residência Multiprofissional do HU/UFGD/EBSERH de Dourados MS, tivemos a oportunidade de conhecer as ESF's Indígenas da nossa região, como faz parte do programa da residencia o rodizio  nas areas que sao comuns a nossa especialização. 

 

Em uma de nossas ações, fomos convidados a ir a casa de uma puerpera, que recentemente na internação do parto, foi diagnosticada com DM. Essa ate então não estava sabendo de como sua vida e rotina passaria a ser diferente desde a concepção da criança. Um dia entra pela porta da maternidade para dar a luz ao filho esperado em outro dia, sai pela porta da maternidade com a noticia de que teria que adequar sua dieta que ja e restrita pelas condições sociais, a restringi-la mais ainda, por conta da enfermidade que tera que aprender a conviver. 

No começo ficamos sem saber por onde começar, e com algumas informações que conseguimos com o AIS ( Agente Indigena de Saude) foi possivel traçar um linha a qual poderiamos seguir. 

Partimos do ponto de que teríamos que estabelecer um vinculo maior ainda entre ela e a ESF a qual era cadastrada, não abrindo mão do acolhimento e a escuta inicial, realizada pela psicologa da nossa equipe. O segundo passo foi criar uma orientação nutricional baseada em seu diagnostico e que condizesse com sua realidade e condições financeiras. E por ultimo mas não o menos importante, uma orientação a familia e a paciente do uso da insulina regular pela paciente. 

Foi desafiador, mas com o auxilio da equipe de saude e do AIS, conseguimos encontrar a puerpera, realizar a escuta inicial, que foram identificados muitas demandas de nivel social e psicologicos, e foram dados encaminhamentos para que os mesmos fossem resolvidos pela equipe local. Na parte nutricional, ficou claro que, não pra nossa surpressa, mas como muitos de nos brancos, ou Karaís comumente dito por eles, as duvidas e ideias de restriçoes alimentares, são identicas as nossas. A nutricionista conseguiu abordar de uma forma simples, toda a familia que seria envolvida no processo do cuidado com a puerpera. Pra nossa alegria , esse "PTS" teve tudo pra dar certo, pelo grau de instruçãos e alfabetização de alguns membros da familia. A enfermagem ficou respossavel, por matriciar o marido, e a irmã para a administração da insulina, em alguns minutos e o material necessario, conseguimos ensinar a familia sobre o acondicionamento da insulina, o rodizio de locais de aplicação, e a dose em cada horario, o desafio foi deixar nossa liguagem tecnisista e partir para a liguagem popular sem abandonar a eficacia terapeutica da medicação associada aos novos habitos. 

Confiamos que a equipe e o AIS, estao fazendo um otimo trabalho de continuação, é possivel sim, passar o nosso conhecimento para que o proprio individuo seja capaz de realizar o autocuidado com qualidade. A partir do momento que entendemos que saude não se faz apenas no ambiente hospitalar ou nas unidades, e que ela existe  tambem  no territorio e na maneira que o individuo vive na sua comunidade. 

 5 COMENTÁRIOS

Emilia Alves de Sousa is offline

Oi Mateus,

Lindo trabalho multi e transdisciplinar,  o que reafirma a importância da Clínica Ampliada e o PTS no cuidado em saúde. O trabalho em saúde feito dessa forma, discutido, compartilhado, valorizando o protagonismo e a participação, não só do usuário mas também da família, a resolutividade do tratamento é infinitamente maior do que uma abordagem individual e fragmentada.

A sua experiência com essa usuária indígena me fez lembrar uma visita realizada à uma aldeia indígena em Barra do Corda (Maranhão), por ocasião da implementação, no hospital onde trabalho, do projeto “Rede no Berço: acolhendo as diferenças culturais", que compartilho aqui!

http://www.redehumanizasus.net/4189-rede-no-berco-acolhendo-as-diferencas-culturais

AbraSUS!

Emília

catia martins is offline

 
Olá Mateus, bem vindo e continue aqui na RHS. 
 
Linda foto! Tenho certeza que muita gente por aqui 'babou' nela... rsrsrs!
 
Se este post fosse meu, eu colocaria o título "entre a ausculta e a escuta" ou " os aprendizados de um enfermeiro que escuta". Vc é um profissional de saúde que escuta, conversa e pensa junto. É isso aí! É assim que a gente produz o cuidado, faz saúde junto com as pessoas e enriquece o olhar.  
 
Dá uma olhada neste post q a Emília sugeriu. É lindo! Veja tb os demais com a tag "clínica ampliada". 
 
um abraço, Catia 
Janaina Mazzuchelli Pereira is offline

Deveria estender o post e contar a riqueza dos detalhes de "ensinar as técnicas em uma fruta", sentar nos banquinhos de madeira e terra vermelha e que esta foi uma visita domiciliar no tempo do usuário, nesse caso foi uma linda tarde inteira!

Beijo beijo!!

Camila O. Ferreira is offline

Nossa jana, vdd, no longo, difícil e belo caminho ate a casa, a equipe multi do esf foi nos explicando cmo era o caso, mas nunca vou esquecer a nossa cara se olhando quando vimos de fato qual era o tamanho do desafio, cmo fzr uma visita render tanto com tão pouco. Sinto alegria sempre que lembro
paula_rms is offline

Mba'eichapa Mateus!

Como é bonito e confortante o papel da RMS para transformar nossa forma de cuidar...

A imersão dos(as) residentes junto às relações produzidas nos territórios é mto importante para essa rede de vínculos, que tanto falamos, seja tecida e possibilite o cuidado intercultural.

Dessa forma, parece aproximar as condições e singularidades de cada comunidade e cada história, possibilitando também o autocuidado. É então que tudo faz mais sentido! É quando o SUS dá certo e caminhamos rompendo fronteiras...

Emocionada em encontrar vocês  aqui com lindos relatos!

AbraSUS! Jaguata! (Vamos caminhar...)

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Puericultura em casa

A ideia é visitar as mamães recém paridas, nos primeiros 10 a 15 dias de vida do bebê ou antes quando possível. Nestas visitas avaliamos tudo, desde o ambiente, a mamada, o peso, PC, reflexos do RN, auscultas e todo exame físico do RN. É um momento de intimidade com a família onde buscamos realizar uma escuta ativa, e detectar quaisquer problemas ou dificuldades, bem como dividir com a família a alegria de um novo integrante. Envio fotos das últimas VDs realizadas com este fim.

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No estágio de Psiquiatria tive a oportunidade de refletir e modificar muitos conceitos que eu tinha. No estágio do CEAAD a falta de atividades produtivas e de incentivo a novos afazeres me incomodou bastante, assim como a falta de apoio a reinserção social. O CAPS Casa Verde se mostrou totalmente diferente e me surpreendeu ao desenvolver todas as atividades que no meu pensamento, deveriam ser desenvolvidas no CEAAD.