Uma reflexão (questionamento) sobre a abertura para a participação social na saúde

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Uma reflexão (questionamento) sobre a abertura para a participação social na saúde

Pedro Terra Teles de Sá is offline

 

Como dito anteriormente, aqui estou para a minha postagem semanal, o que ainda está valendo já que sábado é o último dia da semana..rs

E inicio a reflexão de hoje com uma pergunta. Como a sociedade civil está sendo inserida na constituição da agenda na saúde? Não penso simplesmente na importância da participação social, que é de fato bastante importante, mas efetivamente, tem havido participação e qual a qualidade dessa participação?

Um pequeno caso numa fila do "postinho" de saúde seria uma pessoa virar para você e falar "Nossa, o médico passou um tanto de exames que mal consegui fazer". Perguntei o porquê. "Porque é caro, tem que fazer particular". E quando você não pode fazer particular?  ¨Faz o que dá, ou não faz".

No primeiro momento nós já podemos criticar o problema no acesso e a partir daí a gestão e inúmeras dimensões do sistema de saúde. Mas como os usuários entendem a importância da sua participação no aperfeçoamento do sistema? E não digo em tom de crítica aos usuários, já que eles não se sentem, muitas vezes, convidados para isso, afinal, a saúde é uma área muito restritivo quanto à opinião de quem não é "entendido no assunto", porque possui seus termos técnicos, seus códigos, sua lógica, suas políticas, até a receita é escrita de forma que mais parece outra língua. Mas por que os usuários acham que devem apensas aceitar o que está posto do jeito que está? Porque eles não sabem que essa é uma decisão que também lhes diz respeito, como outras são?

Talvez uma pergunta melhor seja: qual a abertura que o sistema de saúde dá para que os usuários participem dos espaços e processos de decisão em relação a quastões que interferem em sua própria saúde? E como podemos pensar o sistema de saúde como um espaço comum, espaço de todos, que haja pertencimento?

Sei que isso faz parte de um processo politico e social bastante complexo, que extrapola, inclusive, o setor saúde. Mas o sistema, os gestores, os profissionais, etc., mesmo tendo as suas dificuldades nessa e em outras questões, também possuem sua cota de responsabilidade e nos atermos à esta responsabilidade faz parte de uma dimensão ética e política do direito à saúde.

Afinal, em momentos políticos tão incertos, a sociedade é, provavelmente, a melhor aliada que o SUS pode ter.

 4 COMENTÁRIOS

Maria Luiza Carrilho Sardenberg is offline

Olá Pedro,

Boa inauguração do debate com o tema da participação social. Escolha ético-estético-política certeira e provocadora em tempos de grande necessidade de mobilização das potências em torno da cidadania.

Pedimos que você coloque uma imagem no post para que possamos dar maior visibilidade ao material na fan page da RHS e no próprio carrossel da rede.

AbraSUS!

Pedro Terra Teles de Sá is offline

Obrigado pela dica Maria Luiza, vou adicionar uma imagem!

Abraços!

Emilia Alves de Sousa is offline

 

 Oi Pedro, muito pertinentes os seus questionamentos e reflexões!

Com o  cenário político que ora se instala no país com as frequentes ameaças de retrocessos das conquistas do SUS, trazer o usuário como parceiro na produção de saúde é imprescindível.  Estimular a sua participação nos movimentos de defesa e fortalecimento da saúde pública é mais do que necessário, é vital. Infelizmente, muitos usuários ainda não se deram conta da importância da sua participação para disparar as mudanças necessárias nas políticas públicas. Talvez, em parte por falta de estímulo por parte dos gestores e trabalhadores que excluem esses sujeitos dos processos decisórios nas unidades de saúde.

No hospital em que trabalho, temos um colegiado gestor para discussão democrática dos processos de trabalho e as dificuldades envolvidas, entretanto ainda é ínfima a participação dos usuários. Percebemos que a consciência política dos gestores no sentido do fomento da tríplice inclusão ainda não se dá de forma ampliada.  

Valeu Pedro por essa postagem tão bacana! Aguardamos novas publicações!

AbraSUS!

Emília

Pedro Terra Teles de Sá is offline

Penso que também é necessário fazer um resgate de nós (população brasileira) enquanto sociedade civil, buscar isso em pensadores que analisaram e construiram um pensamento nacional sobre isso, acredito que seja um caminho, como também das memórias coletivas e históricas que temos.

Obrigado pelo retorno Emilia!

Abraço! 

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Chica foi mais uma das muitas moradoras dos hospitais psiquiátricos brasileiros. Sua genética e história de vida lhes foram desfavoráveis e não deram a oportunidade de viver como ela merecia. Desde 08 de maio de 1984 morava no Hospital Dr. João Machado e por lá permaneceu até maio de 2016. Foram 32 anos, muito mais do que tenho de vida, vividos entres as paredes institucionais. Desses, aproximadamente 25 anos foram passados em enfermarias rotativas caracterizadas pela impossibilidade de ter um lugar para chamar de seu.