Experiência na Residência Multiprofissional em Saúde do Adulto e do Idoso

Primary tabs


10votos

Experiência na Residência Multiprofissional em Saúde do Adulto e do Idoso

Mariana de Moraes Duarte Oliveira is offline

O modelo tradicional de assistência à saúde tem como foco a doença, de forma que não considera o paciente como sujeito ativo de seu próprio tratamento, portador de uma história, cultura e qualidade de vida. À luz dos avanços do SUS, foi percebida, ao longo dos anos, a necessidade de mudanças nas políticas de saúde e a proposta de um cuidado que tem como base a integralidade da atenção e a humanização da assistência.

A Humanização, a partir da Política Nacional de Humanização, se dá através de uma troca de saberes entre equipes multiprofissionais, considerando a identificação das necessidades, desejos e interesses dos envolvidos, do reconhecimento de gestores, trabalhadores e usuários como sujeitos ativos e protagonistas das ações de saúde, e da criação de redes solidárias e interativas, participativas e protagonistas do SUS. No que refere ao ambiente hospitalar, a humanização é voltada para o processo de educação permanente e treinamento dos profissionais de saúde, bem como para intervenções estruturais que façam a experiência da hospitalização ser mais confortável para o paciente (MOTA et al., 2006).

Muitas ações voltadas para humanização do ambiente hospitalar são realizadas em todo território nacional, porém ainda podem ser consideradas pontuais. A partir da experiência enquanto residente multiprofissional inserida em um hospital universitário, é percebida ainda a humanização como uma prática tímida, e desse modo, o usuário, muitas vezes, ainda é visto como um objeto de estudo, bem como, as profissões se relacionam de maneira verticalizada. Essa realidade influencia a nossa prática enquanto residente multiprofissional no sentido de reduzir o campo de atividades integradas realizadas pelas equipes de referência, haja vista que cada profissional acaba ficando imerso na rotina do serviço do setor.

Desse modo, pensando em estratégias para fortalecimento da atuação das equipes multiprofissionais na Residência, pode-se citar o Projeto Terapêutico Singular (PTS).  De forma geral, o PTS é compreendido como uma estratégia de cuidado organizada por meio de ações articuladas desenvolvidas por uma equipe multidisciplinar e definida a partir da singularidade do indivíduo, considerando suas necessidades e o contexto social em que está inserido (BOCCARDO et al., 2011). A terapêutica então proposta vai além da medicalização, considerando possibilidades como educação em saúde, apoio psicossocial e escuta qualificada, conduzida por uma perspectiva interdisciplinar que recolhe a contribuição de várias especialidades e de distintas profissões (PINTO et al., 2011). Por isso, considero aqui  a importância dque o PTS pode vir a ser um meio de fortalecimento da equipe multiprofissional, na medida em que propõe a horizontalização dos profissionais e saberes e a disponibilidade em promover o cuidado em conjunto. Além disso, considerando o contexto da residência em que grande parte dos residentes estão vivenciando sua primeira experiência profissional, o aprendizado em relação a elaboração de um PTS torna-se um diferencial para esse profissional em formação.  

 4 COMENTÁRIOS

Emilia Alves de Sousa is offline

Oi Mariana,

Muito pertinentes as suas reflexões. Em que pese a prioridade da humanização da atenção e gestão em saúde, em muitos contextos, o processo ainda se dá de forma pontual. E um dos  grandes desafios é colocar em prática a proposta da Clínica Ampliada com o Projeto Terapêutico Singular. Ainda é forte a resistência de alguns profissionais em lidar com usuários buscando a sua participação e autonomia no tratamento, valorizando os seus saberes, o diálogo interativo, e a  abordagem  multiprofissional. É sabido o quanto esses dispositivos são importantes para a resolutividade do tratamento do sujeito.

Valeu pela publicação, e o que você acha de inserir uma imagem para um maior destaque à sua publicação?

Compartilho aqui um link com vários tutoriais sobre as funcionalidades da rede.

http://www.redehumanizasus.net/ajuda

AbraSUS!

Emília

Aline Emílio da Mota Silveira is offline

Mari, muito legal tua publicação! Acabou me remetendo bastante a minha própria experiência, enquanto residente, na construção do PTS. Como você bem lembrou, a maioria das pessoas que participam da residência está em sua primeira atividade enquanto profissional. E, muitas vezes, não havia tido oportunidade de construir um PTS anteriormente. A residência possibilita que o profissional saia com uma bagagem diferenciada, após os dois anos de vivência no SUS. Quanto ao PTS, interessante observar que a sua produção ajuda a fortalecer o vínculo enquanto equipe, visto que é uma atividade que exige discussão do caso clínico e a participação ativa de todos os envolvidos (incluindo o paciente). E todos com um objetivo em comum.

A prática do PTS proporciona um trabalho integrado, o olhar ampliado sobre o sujeito, leva em consideração os seus desejos e abre espaço para poder expor as dificuldades e êxitos do caso. É importante a participação de todos os profissionais para que o sujeito seja assistido por completo, desde o momento do acolhimento até a situação de alta. E incluir, nisso, as perspectivas da pós-alta, para que o usuário possa se manter em um bom estado de saúde e sinta-se contemplado, levando sempre em conta a sua singularidade.

É válido ressaltar que o PTS não se restringe a ser utilizado dentro do ambiente hospitalar. Essa estratégia deve ser utilizada sempre que possível e quando necessário, desde a atenção básica. Isso deve ser rotina de todos os serviços, contribuindo na promoção à saúde e na prática humanizada. Sigamos trocando! Abraços.

Anne Rafaele Telmira Santos is offline

                 Olá, Mariana, seu post foi bastante inspirador! É muito importante a gente relatar as nossas experiências nos nossos espaços de atuação e a residência ainda é algo em construção. Muitos pontos ainda precisam ser debatidos e inserir a discussão da humanização na própria residência multiprofissional é fundamental. Assim como, o conceito de multidisciplinaridade em diversos espaços de atuação – principalmente no ambiente hospitalar.

                Ao compreender as falhas e lacunas do SUS, o Ministério da Saúde e o da Educação optaram por investir na formação dos recursos humanos a partir da ampliação das residências multiprofissionais para melhorar a qualidade da atuação dos profissionais no, entendendo a atenção à saúde como cuidado integral. O que necessita de um olhar multilateral em torno dos processos de saúde e doença (Matos, Pires, & Campos, 2009), embora na prática possa haver algumas divergências gritantes como a não igualitariedade acerca do prestígio dos saberes entre os membros da equipe (Nunes et al., 1998).

              Sob o olhar da equipe multidisciplinar e na tentativa de um trabalho interdisciplinar, a residência multi tem o objetivo de atuar na investida de desconstrução da ideia de fragmentação de conhecimentos. Desta forma, constitui como uma prática de integralização entre saberes e fazeres não unilaterais no trabalho em saúde. Todas as intervenções devem ser compartilhadas e dialogadas com as demais profissionais da equipe. Podemos descrever a atuação multidisciplinar em saúde como um projeto em comum baseado em dois pontos: a articulação e a interação. A primeira refere-se às ações evidenciadas nos saberes e fazeres das profissionais de forma consciente, já a segunda é uma prática de comunicação na qual a horizontalidade das relações possa ser efetivada nos diversos encontros da equipe (Matos, Pires, & Campos, 2009).

              No entanto, esse horizonte é constituído enquanto um projeto, uma tentativa de buscar a integralidade através dos saberes e nos cuidados sugeridos pelo SUS. Um dos pressupostos para uma equipe multidisciplinar com trabalho interdisciplinar funcionar é a valorização do trabalho um do outro, o que é contradito pela hierarquização de poder historicamente construída entre as profissões da equipe

 

 

 

Referência bibliográfica:

 

Matos, E.; Pires, D.E.; Campos, G.W.S.(2009). Relações de trabalho em equipes interdisciplinares: contribuições para a constituição de novas formas de organização do trabalho em saúde. Rev. Bras. Enferm. v.62, n.6, p.863-9.

 

Nunes, E. O. (agosto, 1998). Saúde Coletiva: história e paradigmas. Interface-Comunic, Saúde, Educ. p. 107-116.

Sérgio Aragaki is offline

Mariana,

De fato o PTS pode ser uma ferramenta potente que dispara e colabora na mudança nas práticas de gestão e atenção à saúde. Mas necessitam utilizar do método da tríplice inclusão e seguir os princípios para que possamos, de fato, alinhar as práticas ao que o SUS necessita e propõe.

Sempre lembro do quão importante e potente seria incluir usuárixs na discussão, formulação e negociações para a execução dos PTS.

Últimos posts promovidos


Raquel Torres Gurgel is offline
7votos

Dá pra ter uma mostra Saúde É Meu Lugar na sua cidade.

Há três ou quatro meses, divulgamos aqui a Mostra Saúde É Meu Lugar – um projeto da Rede Brasileira de Escolas de Saúde Pública que busca dar visibilidade ao trabalho de quem atua na Atenção Básica, nos territórios.

Últimos posts comentados


Ronaldo Rodrigues is offline
6votos

O diabetes não define minha Vida

Início esse texto retratando a minha luta de ativista aqui no meu estado, como todos meus leitores são sabedores tenho Diabetes Tipo I desde o ano de 2012.

O ano de 2012 marcou minha história ou melhor minha vida, quem sabe para melhor. Assim me fez torna-se uma pessoa diferente e que não passaria a olhar apenas para me mesmo e sim ampliar esse olhar e buscar ajudar a outros jovens e crianças com o meu mesmo diagnostico.