Experiências na Ouvidoria da Saúde - SESA

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Experiências na Ouvidoria da Saúde - SESA

auriceia geralda da silva costa is offline

Um dia em uma ouvidoria pode nos presentear com alguma surpresas. Cada cidadão que nos procura carrega e representa algo que muitas vezes está afetando um grupo maior de pessoas que precisam de ajuda, principalmente para encontrarem o caminho do livre exercicio da cidadania que, em muitas vezes, começa quando uma informação é compartilhada. A experiência abaixo faz parte de um acervo que começamos a produzir para guardar um pouquinho de experiências tão preciosas, escutá-las e dar o melhor direcionamento na  busca efetiva de soluções. Como a maioria de nós bem sabe, nem sempre conseguimos o êxito esperado, mas estamos sempre reavaliando nossa  prática e acreditando no SUS que dá certo. Então, segue um de nossos relatos. Abraços, Auricéia.

Hoje na ouvidoria falamos sobre pessoas e doenças
Quando aquela mãe entrou com sua filhinha, logo falava a respeito das limitações da criança e do quanto precisava da aplicação de uma toxina, principalmente porque fora informada da probabilidade daquela criança perder definitivamente os movimentos da perna. Todo discurso daquela senhora recaia sobre as dificuldades e impedimentos trazidos pela doença daquela criança. Enquanto um colega acolhia aquela mãe, resolvi convidar a criança para conhecer a geladoteca. Ali não encontramos literatura infantil (opa, acho que vou contribuir nesse sentido), mas conversamos e cantamos bastante, ela sugeriu que eu me deitasse ao chão e como não sabia ler, foi criando historias interessantes que traziam um pouco do que observavam das minhas roupas, cabelos e de si mesma. A convidei para subir as escadas, subiu alguns degraus e então ofereci ajuda, e ela disse que não precisava que ficaria por ali olhando pelo saguão. Naquele momento percebi que ela demonstrava que conhecia e   era capaz de lidar com os próprios limites, numa situação em que a maioria dos determinantes poderia produzir submissão. Esse encontro me fez refletir a respeito das pessoas e das doenças, do quanto é importante compreender que as pessoas devem ser reconhecidas e valorizadas pelo seu potencial, porque são pessoas, e o quanto as pessoas com limitações podem sofrer sob o estigma de incapazes, em detrimento a tudo aquilo que podem apresentar de ganhos e superação, não obstante ao cuidado e assistência dado a importância daquilo que afeta seu corpo, e muitas vezes sua auto-imagem, seus relacionamentos e tudo mais. Uma frase me ajuda a ampliar horizontes a respeito das pessoas e das doenças. Paulo Amarante, ao sintetizar a contribuição de Franco Basaglia, grande nome na área da saúde mental , expressa da seguinte forma : "Se a doença é colocada entre parênteses, o olhar deixa de ser exclusivamente técnico exclusivamente clínico. Então, é o doente, é a pessoa  objetivo do trabalho, e não a doença. Desta forma a ênfase não é mais colocada no 'processo de cura', mas no processo de 'invenção da saúde' e de 'reprodução social do paciente'“ (Amarante, 1996). Hoje falamos sobre sujeitos, concretos, sociais e subjetivamente construídos, ainda que limitados. Nós que estamos aprendendo a produzir saúde. E acrescento aqui que, após o devido encaminhamento desta demanda, a instituição efetivou o agendamento do procedimento.

Referencias Bibliográficas:
Amarante, Paulo. O homem e a serpente. Rio de Janeiro, Editora FioCruz; 1996.

 

 

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 6 COMENTÁRIOS

Emilia Alves de Sousa is offline

Olá Auriceia,

Muito interessante o seu relato enfatizando dois temas importantes, a ouvidoria e o protagonismo do usuário na produção de saúde.

Obrigada pelo compartilhamento aqui na rede!

O que acha de inserir uma imagem para um maior destaque à publicação? 

Caso seja do seu interesse, colo aqui um link de ajuda com vários tutoriais sobre as funcionalidades da rede!

http://www.redehumanizasus.net/ajuda

AbraSUS!

Emília

Sidney Cavalcante da Costa is offline

A Ouvidoria da Saúde é um espaço apropriado para que o usuário possa ser ouvido. Por isso, é fundamental que os funcionários da Ouvidoria sejam pessoas sensíveis à fala daqueles que ali cheguem.

Parabéns Auricéia pelo exemplo de escuta ao cidadão.

ANGELA MARIA DA SILVA is offline

Bom dia Auriceia,

 

Gostei muito do seu artigo. Nas suas palavras podemos perceber sua afinidade com a dor do outro e é isso que os serviços de saude necessitam, pessoas que se importam com a dor do outro. Que existam mais pessoas assim nos setores de saude.

Te desejo muito sucesso. Espero que compartilhe mais artigos tão bons quanto esse. Parabéns.

Henrique Tápias de Sales is offline

Brilhante! 

auriceia geralda da silva costa is offline

Obrigada Angela, Sidney, Emilia e Henrique. Obrigada a todos pela leitura e pela compreensao do quanto precisamos investir cada vez mais nas ações humanizadas de saude.

Aparecida de Fatima Cordeiro Dutra is offline

Valeu por compartilhar um pouquinho das suas experiências na ouvidoria.  

Sensibilidade e empatia são essenciais para os profissionais do SUS. 

 

Congratulations!!!

 

 

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