Valorização do Trabalho e do Trabalhador: "larguemos as foices"!

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Apenas apontamentos para refletir...

“Do trabalho vivemos e pelo trabalho morremos. Há condições de trabalho que nos matam mais rapidamente, seja quando as condições naturais ou sociais são muito ásperas, seja quando “os senhores” concentram tal grau de poder que exploram ao limite o trabalho de escravos ou de trabalhadores.” (Campos, 2009)

Os horizontes não deixarão de existir porque não sabemos voar!

 



Entre os princípios norteadores da PNH estão a “construção de autonomia, capacidade de realização e protagonismo dos sujeitos e coletivos implicados na rede SUS”; e, “a responsabilidade conjunta desses sujeitos nas práticas de atenção e gestão” (MS, 2008).
Caracterizando-se como uma “política que atravessa todas as instâncias do SUS” (MS, 2008), baseando-se nos princípios acima, a qual corrobora com a idéia de que: “Trabalhar é gerir. Gerir junto com os outros” (MS, 2008).


“O trabalho ocupa um lugar privilegiado na vida dos seres humanos. Não é neutro em relação ao que provoca no sujeito: nos serviços de saúde, o trabalho é potencialmente produtor de sentido, quando é inventivo e participativo; e pode ser também produtor de sofrimento e desgaste, quando é burocratizado, fragmentado e centralizado” (MS, 2008).


A produção de sentido no/do trabalho construído coletivamente, em co-gestão, possibilita a participação de todos, desde que não somente “circule a palavra, mas o próprio sentido” (Passos, 2008). “A gestão coletiva das situações de trabalho é critério fundamental para a promoção da saúde” (MS, 2008) e ainda Campos (2009) diz que “a gestão participativa é uma medida preventiva fundamental para a saúde do trabalhador”.


Os Grupos de Trabalho de Humanização (GTHs) são coletivos organizados que podem, através do princípio da transversalidade, atravessar saberes e poderes, produzindo encontro de subjetividades, protagonismo e autonomia dos sujeitos. “(...) a partir da compreensão do mundo do trabalho e como este pode tornar-se tanto um espaço de criação e de promoção de saúde (autonomia, protagonismo), quanto um espaço de embotamento, riscos e sofrimento” (MS, 2008, p.12).


Os afetos estão sempre presente no mundo do trabalho, porque o trabalho não existe sem as pessoas que o realizam, sendo o “trabalho uma ação humana” (Codo, 2007). Como seres humanos, todos somos complexos, dotados de subjetividade, e reconhecer isso, respeitar e incluir o modo de cada um trabalhar é fundamental para a realização profissional/pessoal do trabalhador. O empoderamento do trabalhador para que ele experencie o que é co-gestão, subjetividade, autonomia, protagonismo é fundamental para a mudança de paradigmas do trabalho em saúde, alterando processos de trabalho.


“Isolar subjetividade do trabalho é inútil, impossível e improdutivo”, é uma afirmação feita por Elton Mayo, sociólogo, citado por Wanderley Codo, doutor em Psicologia Social, em matéria publicada pela revista Psique Ciência & Vida (nº 13, p.66-67, 2007), além de dizer que mesmo no século XX quando a “fábrica expulsou o afeto e exigiu que as emoções ficassem em casa”, o “afeto frequentava o trabalho de soslaio, clandestinamente, por meio do comentário maledicente nos bares depois do expediente, das conversas furtivas no banheiro, dos olhares desafiadores que provocavam ele e ela apesar da vigilância do capataz”. Codo conta que evoluímos de uma sociedade industrial para uma de serviços “em que é impossível taylorizar o trabalho e mais impossível ainda é eliminar o vínculo entre as pessoas, o lugar privilegiado do afeto”. E mais: “Ele faz parte da produtividade”.


Então, como transversalizar hierarquias, rodiziar, co-gerir, incluir, subjetivar? Tecnologias de conversa, “redes de conversações” em Teixeira (2005) apostam em caminhos possíveis para a construção de “inteligências coletivas”, “afetivas”, capazes de alterar processos de trabalho e mesmo potencializando a experimentação de “outros modos de existência”. “Precisamos trabalhar pelo salário, mas também para dar sentido e significado a nossa vida e à sociedade em que vivemos” (Campos, 2009).
Os desafios são muitos. “Como humanizar a atenção ao usuário sem criar organizações humanizadas, sem co-construir trabalhadores capazes de cuidar de si mesmos e dos outros?” (Campos, 2009)

 

Apoiadora Institucional da PNH

GTH / SMSAS - São Sepé

 

Comentários [15]

Na Linha do horizonte...

Lembra "Fernão Capelo Gaivota"? Talvez os girassóis de fato estejam certos? Pigeons/pombos... ou Gaivotas??...Trabalhadores de Saúde?

Que lugar é esse?!!!

Que belo resgate podemos fazer aqui...

" Valorização do Trabalho e do Trabalhador ", que também é usuário e corresponsável pelo seu lugar, co-gestor!!!!

É... eu tanbém quero voar!!

Para isso estou resgatando a autonomia e o protagonismo de meus passos...PNH!!!

Sou o quem quero ser ou o que querem que eu seja?

Sou apenas uma pessoa a mais, trabalhando com uma programação pré-definida?! Até quando?

A PNH nos convoca, instiga, propõe mudanças e desafios, mas vai depender de cada um de NÓS, a vontade/coragem de ampliar os nossos horizontes que são infinitos, como as nossas possibilidades de mobilização e escolha.

Como disse mestre Edu Passos: ... " a idéia é sempre de infiltrados"

Então, "largar as foices" é mais que necessário, é uma urgência! Vamos fortalecer e criar espaços onde os processos de trabalho possam ser analizados e construídos de maneira mais humanizada.

Quando o trabalhador de saúde conseguir trabalhar sobre si o que ele pensa ser só do outro, direitos e deveres...então ele estará ocupando um lugar de fato, sem medo de ser feliz!

Buscar o que nos potencializa é uma forma de  experimentar e ampliar os horizontes, sem medo de ser feliz!!!!   

 CMH - São Sepé

 

MIGRAR? UMA GAIVOTA JAMAIS ABANDONA SEU BANDO!!!

Vamos "habitar o intervalo"? Migrar, voar, conhecer? Os horizontes... valorizar nosso trabalho e a nós mesmos enquanto trabalhadores de saúde pode ser "migrar para conhecer"... Migrar... sair de si para conhecer o outro e a si mesmo a partir desse encontro, SER-UM-OUTRO, transformar-se, afetar-se e afetar. Por-se em relação. Estabelecer uma relação de confiança, sobretudo... GAIVOTAS!!! Voar alto! Lembrei de Fernão Capelo Gaivota... "eu quero voar". Este filme me acompanha há muito tempo, né? Lembra do livro? Perfeitos! UMA GAIVOTA JAMAIS ABANDONA SEU BANDO! ISTO É IMPRESSIONANTE! QUANDO UMA ADOECE, TODAS POUSAM E AGUARDAM ATÉ QUE  A OUTRA MELHORE E SEJA CAPAZ DE VOAR NOVAMENTE! LIÇÃO DE CO-GESTÃO... SIM, CO-GESTÃO, PORQUE QUANDO A GAIVOTA LÍDER DO BANDO CANSA (VOAM EM "V" INVERTIDO, E A DA PONTA É A LÍDER), OUTRA ASSUME SEU LUGAR E ASSIM POR DIANTE! PODEMOS TODOS SER COMO GAIVOTAS? ... MIGRAR, AFETAR/SER COMPANHEIROS, CO-GERIR ESTE VOO DA VIDA?

Vamos continuar acreditando, melhor ser ingênuo e confiar, do que deixar de viver "aquilo que poderia ter sido e não foi simplesmente porque não tentamos" - desabitar os medos, os rótulos, os preconceitos (achamos sempre que sabemos o final da história?).

Luciane Migrante da Silva sim!

 

Porque "TODA CRIAÇÃO É SINGULAR..." (Deleuze & Guattari)... 

 

que baita convocação, hem?!?!

 

Luciane, adorei ler teu post e mais ainda ver o cutuco que ele representou prá todo um povo trabalhador que se pôs a comentá-lo. Recebi torpedos de nossa turma pedindo para olhá-lo. que lindo movimento produzite! que belas citações escolheste! vou te usar na aula do eixo, semana que vem, obrigada pela referência bibliográfica! bjs da profe!!

Simone!! Fruto que colhemos!

Quis muito fazer um post “pra nós”, sobre a Valorização do Trabalho e do Trabalhador (NÓS), mas ainda não sabia como. Então, convidar a todos para refletir sobre alguns “pontos”, poderia ser uma “forma coletiva de construção do próprio post”. Arrisquei, confesso que fiquei apreensiva sem saber se compreenderiam a subjetividade. Teria que “chamar a atenção” para “que interessasse”. Escolhi a música Learning to Fly (aprender a voar), com arranjos pesados da década de 70, contudo em clip de 80, qual sabemos foi uma época de transformações político-sociais importantes. Apostei na interpretação “livre” do clip, sem a tradução da música (que perde o sentido no português, ainda que no “inglês” vá bem...), pois às vezes o trabalhador se sente assim, sozinho, de foice (trabalho que escraviza, não aparecem resultados)... Em GTH aparece muito isso “misturado” em processos de trabalho que não se resolvem. Agora, uma colega veio me contar, que em seus “27 anos” de concurso público/prefeitura, ainda recebe um básico de 379 reais, com complementação/ok, no entanto, os benefícios são sempre proporcionais ao “básico” mesmo, e descontos sobre o todo. O blábláblá é o mesmo que conhecemos, enquanto há pessoas aqui, em Cargos de Confiança, recebendo 1000 reais (já estão recebendo, pois foi aprovado)! Até isso, tudo bem, é bom ganhar mais. Mas e Nós? Sem plano de carreira? Estamos organizados, conversando muito com a gestão... Há que se ter coragem de ver horizontes, "mudar paisagens", mesmo sem sair do trabalho... fechar os olhos, refletir, “existir para si nos outros que cuidamos”!! Isso é processo dos movimentos de mudança, que desde o princípio, tu sabes, agradeço, agradeço, agradeço, ao nosso curso-(trans)formação para apoiadores institucionais da PNH.

Um abraço graaande "nosso"... do pessoal do GTH/São Sepé,

Luciane

 

Como humaniar o SUS numa cidade de 7.000 habitantes? 05/09/09

 

Trabalhar na área da saúde deveria sim, ser uma escolha, sempre. Mas numa cidade de 7.000 habitantes, se torna em alguns casos uma das únicas opções de trabalho. Os que escolheram sabem que se começar a incomodar, vai perder o emprego. Os que estão na área por falta de opção não vão discutir o assunto.

o médico do PSF atende 20 fichas e até mais ver. O resto fica por conta de enfermeiros e se precisar de um atendimento médico após as 17h, terá que acionar uma ambulãncia para  ser atendido na cidade mais próxima onde há convenio com a Prefeitura.

E muitas vezes somos mal atendidos,  por médicos que acham que estão fazendo  favor. Não vamos generalizar! Sabemos que existem profissionais que cumprem o seu trabalho com amor e dedicação.

Tenho certeza, absoluta, que se eu fosse funcionária da saúde, quando a minha filha veio a falecer numa das cl´nicas psiquiátricas, eu teria  ficado desempregada.

Veja o que ouvi do secretário da Saúde, três dias após o ocorrido, quando acompanhada de um advogado ,indo à clínica, tentar descobrir os motivos que levaram minha filha à óbito, apenas 08 dias de internação?

O que você vai fazer lá? Deste  jeito, como vamos internar pacientes lá ,quando precizarmos?

 

De que saúde estamos falando?

Da saúde dos nossos sonhos? Dos sonhos daqueles que não podem pagar por uma consulta de 150,00 a 300,00... onde o médico é tudo que o paciente sonha, é mesmo um psicólogo!

Porque  médico em seu consultório não pode ser o mesmo nos consultórios do SUS?

Algum tempo, li na revista Época, um depoimento de um médico americano:  O melhor remédio para o paciente é aquele médico que, conversa, conversa e conversa com o paciente.

 

Nercinda

 

 

           

 

 

 

 

Nercinda! Que honra tê-la por aqui!!

Vejo que de fato temos muiiiito em comum. A cidade onde eu estou/trabalho tem 24.000 hab e não difere muito da tua. Diria até que é igualzinha, tendo a certeza de que há muitas outras como as nossas. Isso sufoca quem trabalha em saúde! Uma realidade do dia-a-dia que nos amarra. Como Enfermeira, mais ainda. Se tudo tem um limite, neste caso, muitos estão onde? A gente cansa mas não desiste, senão já era, não é mesmo? Vamos insistindo, perturbando, esta é nossa chance possível de força. Acreditando e fazendo acontecer, articulando, em rede, ainda mais fortalecidos = coletivo!

Abraços, Luciane.

Como humaniar o SUS numa cidade de 7.000 habitantes? 05/09/09

 

Trabalhar na área da saúde deveria sim, ser uma escolha, sempre. Mas numa cidade de 7.000 habitantes, se torna em alguns casos uma das únicas opções de trabalho. Os que escolheram sabem que se começar a incomodar, vai perder o emprego. Os que estão na área por falta de opção não vão discutir o assunto.

o médico do PSF atende 20 fichas e até mais ver. O resto fica por conta de enfermeiros e se precisar de um atendimento médico após as 17h, terá que acionar uma ambulãncia para  ser atendido na cidade mais próxima onde há convenio com a Prefeitura.

E muitas vezes somos mal atendidos,  por médicos que acham que estão fazendo  favor. Não vamos generalizar! Sabemos que existem profissionais que cumprem o seu trabalho com amor e dedicação.

Tenho certeza, absoluta, que se eu fosse funcionária da saúde, quando a minha filha veio a falecer numa das cl´nicas psiquiátricas, eu teria  ficado desempregada.

Veja o que ouvi do secretário da Saúde, três dias após o ocorrido, quando acompanhada de um advogado ,indo à clínica, tentar descobrir os motivos que levaram minha filha à óbito, apenas 08 dias de internação?

O que você vai fazer lá? Deste  jeito, como vamos internar pacientes lá ,quando precizarmos?

 

De que saúde estamos falando?

Da saúde dos nossos sonhos? Dos sonhos daqueles que não podem pagar por uma consulta de 150,00 a 300,00... onde o médico é tudo que o paciente sonha, é mesmo um psicólogo!

Porque  médico em seu consultório não pode ser o mesmo nos consultórios do SUS?

Algum tempo, li na revista Época, um depoimento de um médico americano:  O melhor remédio para o paciente é aquele médico que, conversa, conversa e conversa com o paciente.

 

Nercinda

 

 

           

 

 

 

 

saúde com sucesso

Sabe! que resolvi escresver SUScesso pensando nas vertentes que consolidam a política da saúde.Na vertente do trabalhador,penso que somos NÒS, trabalhadores da saúde que compomos este panorama com mais carinho.

 

SUS /    o fator X do sucesso ou do fracasso
A construção do SUS, por vezes nos parece um elefante dentro do contexto político cultural,pois as pessoas estão cheias de suas razões e a reorganização do trabalho em suas diversas redes que se complementam, não é um trabalho fácil! Também podemos pensar que o sucesso do SUS em sua ampla rede é uma mescla das capacidades do sujeitos com seus valores, as percepções do ambiente e das oportunidades das mais diversas situações.A articulação da rede, no meu olhar, deve se fundamentar, em três fatores: 1) motivação para o sucesso, 2) um ambiente que propicie ações assertivas, 3) uma conexão com a realidade presente. Um  outro contexto importante é considerar três vertentes como os atores ou co atores deste PALCO: 1) O TRABALHADOR, 2) O USUÁRIO,3) REVISÃO DOS MODELOS DE GESTÃO O inter relacionamento dos diversos saberes dentro de seu contexto cultural é somatório quando a logística destes saberes se complementam, ou pelo menos se equilibram no senso comum que seja satisfatório para o objetivo fim. A diversidade de olhares dos sujeitos envolvidos  nos grupos  em diferentes localidades é um fator X e a  renovação permanente da forma de FAZER, de SENTIR, de SER, é necessária
 As pessoas representem o capital ativo dentro das instituições. Ao estarmos atentos ao capital humano que cada um representa, e ao que cada pessoa pretende ou pode oferecer os gestores e/ou líderes poderão gerir melhor as potencialidades do seu eu, compreender como converter a calma de um funcionário em prudência corporativa ou a hiperatividade de outro em capacidade de produção..
Um Sus de todos e para todos e o X da questão:
O fracasso do sistema de saúde ou o sucesso do sistema de saúde

 

Intersubjetividade...

SUScesso, muito me agrada. O que nos move? Mobiliza? Valorizar nosso trabalho, cuidar da nossa saúde enquanto trabalhadores, em outrem/usuários nos reinventar a partir das trocas, construir outros modos de existência em intersubjetividade...

Abraço,

Luciane

Sobreviventes do trabalho... produzir desvios...

Ao produzirmos desvios no trabalho, talvez muitos nos chamem de loucos, utópicos/idealistas, teóricos... por amarmos o que fazemos! Vínculos são formas potentes de amor. Lembram do tempo em que tínhamos "aula sobre o que é empatia"? Quanta ingenuidade!

"Qual é a qualidade mais importante de um revolucionário? O amor. O verdadeiro revolucionário é guiado por sentimentos de amor, amor pela humanidade, justiça e verdade. É impossível pensar em um autêntico revolucionário sem essa qualidade". (FILME: CHE) Vejam!

Gastão, visionário!

   Fiquei feliz em

 

 Fiquei feliz em participar do 2º Seminario Nacional da PNH...as palestras, trocas de experiencias, foram otimas;  eu e a minha amiga voltamos com as nossas "baterias carregadas" e cheias de ideias.

O melhor de tudo isto é que ao avaliar as nossas ações do GTH do Hospital de Clinicas da Unicamp e as atividades do 2º Seminário, percebemos que estamos indo no caminho certo, e isto é muito confortante e encorajador.

Abraços a todos

Ana Tereza

GTH, coletivo que nos faz acreditar! Seminário, sonho real?

Ana! O Seminário foi tudo de bom mesmo!! Sem poder dizer o que foi melhor, enchi minha "mochila" de esperança para os momentos que me faltarem... Os textos do livro "Trabalhador da Saúde - Muito Prazer!" me comoveram muito. São espelhos!! "Interface", a revista, fôlego para aqueles momentos em que me sento sozinha - arte "viva". Por dias andei com "aquele pendrive" como um colar, uma medalha aos "desviantes"... porque é assim que me sinto, e também feliz por ser uma. Fotos, filmagens - no notebook... lembranças legais... tudo aqui, comigo, sempre. Todo dia, além do material, note, lá vai a minha mochila junto. Cada vez que coloco ela, sinto que "estamos indo no caminho certo" - como dissestes!Temos tanto trabalho, temos tantas vidas para cuidar - dos outros, das nossas! Estamos com GTH e subgrupos de GTH desde novembro/08, CMH desde Janeiro/09. Para nossa surpresa, os usuarios são maioria sempre!! Eles são nosso norte! Parcerias, nós conquistamos aos poucos, às vezes, de onde menos esperamos. Idealistas, procure-os! Eles ainda existem: força e esperança juntas = movimentos importantes de mudança! Valorizar nosso trabalho, cuidar da nossa saúde enquanto "trabalhadores da saúde" pode ser visualizar horizontes e fazer aparecer o que é importante, de onde "tiramos nossas forças" para enfrentar os desafios! Tente! Hoje, eu comentei com a outra apoiadora institucional da PNH, que também é minha irmã: nessa correria toda, neste "sufoco" de estar "junto com" as pessoas que precisam de nós, de fato, precisamos dos horizontes, nem que seja "imaginá-los" ao fechar os olhos. Dia longo o de hoje, mas SEMPRE GRATIFICANTE! Comprei muitas brigas pelas pessoas que me procuraram hoje, sinto-me feliz por ter estado ao lado delas. Veja só, amanhã eu já tenho "até uma agendada", logo cedo! Mas vou chegar sorrindo, com a certeza de estar "do lado certo"? Te conto depois... Invista sempre "nas pessoas dos usuários" em coletivos, jamais se arrependerá. Aposte nas rodas de conversa, mesmo que de algumas saias frustrada... isso pode ser uma força latente, pense nisso.

Abraços, prazer em conhecê-la, juntas agora,

Luciane.

SAÚDE com SAÚDE...

HU!

A PNH nos proporciona espaços de formação, trocas, afetações, desafiando o "humano" (trabalhador, usuário, gestor, prestadores de serviços) a entender que subjetivar em seus processos de trabalho é estar no campo da humanização.

É necessário "experenciar" para descobrir o que nos potencializa!

Viver e acreditar no trabalho de/com saúde, mesmo sabendo que ele não tem fim, é só o começo de um iniciar diário...com alguns avanços e outros entraves.

Nessa construção, precisamos cuidar de nós também: co-gestão, corresponsabilidade, inclusão, apoio coletivo para a saúde de todos NÓS.

Vamos nos implicar, "vamos nos permitir..." (Lulu Santos)

- Comitê Municipal de Humanização - São Sepé

 

De que saúde estamos falando?

Ser trabalhador de saúde é uma escolha! E, como todas as escolhas que fazemos, temos os percalços! E quantos!! Cuidar dos outros, co-gerir o trabalho, cuidar de nós mesmos, entre tantos momentos que parecem mais "missões impossíveis"! Hoje, ontem, outros dias, sempre assim... pareciam impossíveis, fazendo de tudo, o possível aparece, enfim! Como exemplo, uma portadora de DM tipo I, com a qual estou literalmente dividindo os dias aqui no Ambulatório... Ela passa o dia conosco, sendo monitorada, quando possível, "eu a libero para casa" (!?). Seguimos esquema prescrito pelo clínico. Em casa, ela faz hipoglicemia ou vai acima de 600, correria para o hospital!Retorna no outro dia, em um dos extremos. Hoje, finalmente consegui falar com a médica endocrinologista no HUSM/RS, mas "só na quinta" da semana que vem irá poder "vê-la"! E terá que, após a avaliação, retornar ao PA da cidade para "talvez internar". Aqui em S.Sepé, clínicos dizem que não tem mais o que fazer, "esta paciente é sempre assim", só um especialista!? Enquanto isso, quem fica com ela? Eu. Enfermeira. E vai ser assim mais uma semana?! E ela é apenas uma das pessoas que surgem para ser atendidas em "suas necessidades" nos meus "dias de trabalho". Ambulatório cheio. Hospital Universitário lotado. Clínicos fazem apenas sua parte. E eu, Enfermeira, faço o "impossível virar o possível". Que saúde é esta? Só cuidam das doenças mesmo. As pessoas? Saúde do trabalhador, então?

Adri, eu sei que hoje tua manhã também já foi fogo, argumentando com a prefeitura para "liberar" o auxílio transporte/alimentação dos ACS da tua equipe, realmente não é justo, enquanto tem pessoas com salários muitos maiores e tantos benefícios! Eles também fazem o "impossível virar possível", por um salário tão pouco. "Cuidar uns dos outros" sempre, a única saída "possível".

Bjos, da colega/mana, garra sempre! "Voar? Onde estão os horizontes? Estão por aqui, em algum lugar!"

Luciane.