A importância da escuta no ambiente hospitalar

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A importância da escuta no ambiente hospitalar

Luana Botan is offline

 Sou psicológa de uma Santa Casa e gostaria de compartilhar uma experiência que tive recentemente, foi o atendimento de  um senhor de noventa anos que internou para tratar uma infecção de urina. Fui solicitada porque o senhor estava agressivo, queira ir embora e, ameaçava todos com a sua bengala. Um estagiário de enfermagem e eu notamos que ele precisava apenas de um pouco de atenção.

 

Esse senhor era libanês, mudou-se para o Brasil já adulto, e vivia sozinho. Para ele estar dividindo um quarto com outros pacientes gravemente acometidos era um incomodo muito grande, pois apesar da idade ele é extremamente lúcido e saudável. Primeiro o estagiário o trocou de quarto, depois conversamos um longo período sobre seu modo de viver. Para aquele senhor que vivia tradições distintas da nossa estar doente era um castigo de Deus.

 

Antes de sair do quarto ele me disse: “Obrigado, você me trouxe um pouco de vida!”. Esse caso me fez refletir novamente sobre o quanto é importante escutar o que o paciente tem para nos falar. Um simples olhar, um sorriso, atenção, são atos simples, mas que fazem toda a diferença.

 

É crucial termos um olhar diferenciado sob o paciente sempre visando seu bem estar, afinal a hospitalização é encarada de maneira diferente por cada paciente. O hospital é cheio de rotinas, normas, regras, além de todos os procedimentos invasivos e dolorosos. Escutar o paciente é uma grande ferramenta para melhor trabalharmos, pois dá segurança para do doente, forma vínculos, diminui as ansiedades. Desta maneira estamos cumprindo com o nosso dever de valorizar o cidadão e respeitar as singularidades, produzindo saúde de maneira integra e respeitando o homem como ser biopsicosocial.

 4 COMENTÁRIOS

Clara is offline

Luciana,

gostei da sua história, e fiquei com uma indagação: você contou isso para as pessoas que chamaram você porque o "paciente estava agressivo" ? será que os médicos, enfermeiros, auxiliares, tiveram a oportunidade de abrir um pouco os olhos (e ouvidos) sabendo dessa história ?

infelizmente ainda a reação mais comum é chamar o psicólogo, que é o único que sabe ouvir....quando será que todo o mundo vai saber ouvir um pouquinho , não é ?

Luana Botan is offline

Cara Clara!

Infelizmente em alguns hospitais ainda presenciamos o modelo cartesiano de compreender a doença, não existe um doente ali, mas uma doença, no caso do nosso agradável senhor uma infecção de urina. Respondendo a sua questão, a equipe foi informada sobre a história.

elenita sureke abilio is offline

Este é um relato que nos leva a refletir sobre nossas praticas. 

Muito  se fala da clinica ampliada e a escuta qualificada é o grande marco 

da assistencia.

Para nós psicologos a "ideia magica" de solucionador de conflito tem um segredo relamente mágico; o olhar nos olhos, a atenção e a escuta!

 

Estou na rede porque acredito no SUS que dá certo!!

patrinutri is offline

Muitas vezes presenciei histórias como esta. Pessoas em confinamento, longe de sua rede social, tendo sua cultura desrespeitada, nenhum diálogo.

Mas muitas vezes os que reproduzem este fazer também estão anulados por uma máquina estrutural que os impede de pensar sobre este processo.

O melhor é criar espaços de reflexão sobre este fazer.

Iniciativas individuais são louváveis sim mas  tem pouca potência para transformar o processo. Ações coletivas tem a força de uma explosão.

Gostei muito da proposta da Clara de propor um debate sobre o caso com a equipe. Isto é transformação da realidade.

Trabalhei muitos anos num hospital como nutricionista em clínica médica fazendo esta ação individual de escuta que amenisaram o sofrimento momentâneo de quem estava sendo assistido, mas nada fiz para mudar o processo de trabalho. As vezes aprendemos nossas lições das formas mais dolorosas..

Hoje teria feito diferente, teria acreditado mais no coletivo, mas ainda acho qe há tempo de semear...

Bjs Patrícia S. C. Silva

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SAMI ELIAS BARCELLOS GIBAILE is offline
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INAUGURAÇÃO DA SALA DE RAIO-X

Na tarde de 27 de setembro de 2016 no município de Ladário-MS, cidade com pouco mais de 20 mil habitantes, foi inaugurado pelo poder público municipal, a primeira sala para a realização de exames de raios-x. Foram vários anos de espera. Um anseio da comunidade. Resultado de muita batalha e conversas junto ao poder público. Pacientes para realizarem seus exames de raio-x via SUS tinham que se deslocar quilometros até o municipio vizinho, Corumbá-MS. Hoje os cidadãos ladarenses podem desfrutar de um atendimento mais humanizado.