A PSICOLOGIA PARA ALÉM DO CONSULTÓRIO

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A PSICOLOGIA PARA ALÉM DO CONSULTÓRIO

sufialho29 is offline

O máximo esperado de um psicólogo que recém saiu da faculdade, é que abra um consultório e receba a classe média para tratar das neuroses. Essa é uma visão estereotipada da Psicologia, que deveria, ou seja, deve ser modificada.  Individualmente o sofrimento é vivido, mas a determinação do sofrimento é coletiva. Tem que haver uma Psicologia que discuta a relação com a sociedade, as instituições e as políticas de saúde. Ela ainda tem um trabalho amplo e uma importante contribuição a dar. A discussão sobre a saúde como um processo social e coletivo leva ao surgimento dessa noção de saúde coletiva, muito ligado à causa social do processo saúde/doença. Desde então surgem os problemas comportamentais ligados a uma dada tensão da sociedade, que não podem ser tratados exclusivamente pela medicina, mas a partir de uma série de perspectivas interdisciplinares em que a Psicologia pode se inserir. Muitos profissionais da área de saúde ainda mantêm a visão tradicional de que tudo se trata com medicamentos e intervenções médicas.

No entanto, há situações que envolvem a disposição afetiva e emocional da pessoa, e o apoio psicológico tem um forte impacto, no resultado dos tratamentos médicos. A política de saúde determina o lugar de tratamento institucional dos problemas de saúde onde o psicólogo vai atuar. É preciso mudar a ideia de que a Psicologia deveria limitar sua ação aos consultórios. Há a necessidade, de se pensar em fazer políticas de saúde, para isto, é fundamental a criação de dispositivos, e a criação de espaços entre os diversos atores que compõem as redes de saúde, exige um estar com o outro, que todos possam agir em prol do mesmo objetivo. Aqui certamente a Psicologia pode se inserir, podendo assim, fazer intercessões.

Há três interfaces da psicologia com o SUS: O Princípio da inseparabilidade, pois o projeto de subjetivação se dão num plano coletivo, ou seja, a psicologia como um campo de saber voltado para a subjetividade, portanto, é impossível separar a clínica da política, o individual do social, o singular do coletivo. O Princípio da autonomia e da co-responsabilidade, as práticas dos psicólogos estão voltadas para o mundo, e para o país em que vivemos, com as condições de vida da população brasileira para promover a produção da saúde. E o Princípio da transversalidade, a relação de intercessão com outros saberes, e poderes, e disciplinas. A contribuição da Psicologia pode estar justamente no entrecruzamento destes três princípios. (BENEVIDES, 2005)

A Psicologia da Saúde tem como objetivo compreender como os fatores biológicos, comportamentais e sociais influenciam na saúde e na doença. Então, a Psicologia da Saúde torna-se uma área consolidada internacionalmente, e, no Brasil, está conquistando cada vez mais seu espaço.

Escolhi esse tema para ser abordado, pelo fato da sociedade ter uma visão estereotipada (que deve ser alterada), e infelizmente, possuir um certo preconceito em relação as práticas, ações e inserção dos psicólogos no Sistema Único de Saúde. É de suma importância reconhecermos que a psicologia pode sim atuar e contribuir para a rede de saúde. 

 

Suelen Fialho Garcias

Referências:

BENEVIDES, Regina. A psicologia e o sistema único de saúde: quais interfaces?. Psicol. Soc.,  Porto Alegre,  v. 17,  n. 2, ago.  2005 .   Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822005000.... Acesso em: 20  abr. 2013.  

CASTRO, Elisa Kern de; Bornholdt, Ellen. Psicologia da Saúde x psicologia hospitalar:. Definições e possibilidades de Inserção Profissional Psicol. Cienc. prof. , Brasília, v.24, n. 3, Sept 2004. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932004000.... Acesso em: 21 de abr. 2013. 

FLEURY, Sônia.  A psicologia deve ir muito além do consultório. Ciência e Profissão: Diálogos.  n. 4, p.6-9, Dez. 2006. Disponível em: <http://www.pol.org.br/publicacoes/pdf/dialogos4/Dialogos_pag_06a09.pdf> Acesso em: 18 abr. 2013

 10 COMENTÁRIOS

Sabrina Ferigato is offline

Sufialho, 

Bem vindo à RHS!

Não tenho dúvidas que sua questão é muito atual para muitos cursos de formação em psicologia que ainda mantem esse enfoque privado e individualizante da assistência, por outro lado, vejo grandes contribuições da psicologia como saber e como corporação na construção da rede pública e da saúde coletiva, especialmente , à frente de movimentos importantes como a Reforma Psiquiátrica e a luta antimanicomial.

Enfim, para o SUS também é importante a "clínico do consultório", mas ela tem muito pouco a oferecer se estiver desconectada da "clínica do território".

AbraSUS

Sabrina Ferigato

 

sufialho29 is offline

A psicologia, então, vem ousando romper os modelos tradicionais de assistência limitados a posturas instrumentais de tratamento, controle e cura, buscando pautar sua prática por outro modo de atenção, que dê conta do acolhimento e do cuidado. Me refiro, que, o psicólogo se depara com o desafio da inserção em instituições de saúde, caracterizadas como um lugar específico de tais profissionais.

 

Abraços.

Suelen Fialho

lidiani sampaio is offline

Olá Su!

muito interessante a tua postagem sobre "A psicologia para além do consultório"Na minha opinião atuação do psicólogo em diferentes contextos seja nos serviços públicos de saúde, escolas, organizações trará inúmeras contribuições pois o psicologo apresenta uma visão mais" integralizada " do ser humano ,ou seja, apresenta uma formação acadêmica volta para estudo das estruturas psiquicas ,transtornos mentais, formações de grupo.

Entretanto, há muitos desafios a superar partindo principalmente da sua formação que ainda está muita centrada no modelo individual,curativo, ao invés , da preocupação coletiva e social.

sufialho29 is offline

Concordo contigo, que em qualquer contexto e independente da área de atuação o psicólogo irá contribuir da forma mais eficiente. Mas, infelizmente a visão tradicionalista de que tudo pode e vai ser resolvido com intervenções médicas, e medicamentos é predominante. O que impossibilita a atuação do psicólogos na área da saúde. Ninguém acha importante o acompanhamento psicológico, porque é bem mais fácil tomar um remédio e pronto, resolvido o problema. Cabe lembrar que, saúde não é apenas o bem-estar físico, mas sim, o físico, mental e social.

Até mais.

 

Maria Luiza Carrilho Sardenberg is offline

beleza, Su!

Nunca o nosso trabalho de psicólogos foi tão aviltado como agora. Toda a delicadeza de nossas tecnologias leves de intervenção é facilmente descartada em nome da "eficiência" da medicação.

Mas há relatos dos pacientes no sentido de perceber e rechaçar os efeitos artificiais das drogas como a ritalina. Acabo de ouvir de um colega psicólogo que um menino de 10 anos pediu para ficar sem a medicação. Sente-se "preso" em seu próprio corpo!

 

Iza

sufialho29 is offline

Concordo plenamente com você, nós estudantes de Psicologia sabemos bem o quanto é aviltante.

O modelo biomédico ainda é muito vigente.  A psicologia crítica esse modelo pela sua negligência a condição subjetiva. O indivíduo não é  visto como um todo (biopsicossocial e espiritual), apenas pela a sua doença. Trata-se  a doença, mas não reconhecem as suas particularidades, a sua subjetividade.

Abraços.
SuFialho
 

GLAUCIA VANACOR MENEGASSI is offline

Oi SUELEN

Seu post é ótimo,veio para refletirmos sobre as mudanças que estão ocorrendo sobre a psicologia,no contexto da psicologia da saúde-caps. O psicólogo no consultório é importante mas a multidisciplinaridade e transdisciplinaridade nas redes de saúde, em todas regiões do brasil,tem sido magnifica.Devido que o bom acolhimento é o processo da recuperação do paciente visto, como um todo.

beijos

Glaucia Menegassi

 

sufialho29 is offline

Com certeza, é uma mudança que proporciona mais espaço para os psicólogos que venham a atuar e agir junto com a  rede de sáude. Uma nova visão em relação ao trabalho da psicologia  para a promoção saúde e manutenção do bem-estar coletivo.

Beijos.

Maria Luiza Carrilho Sardenberg is offline

olá Su, seja muito benvindo com essa levada que vai abrindo os olhos dos novos para a importância do coletivo.

A querida Regina Benevides, citada em tua bibliografia, nos mostra como o "individual" só existe a partir de sua iluminação pelo que é coletivo. O indivíduo é uma emergência, algo que se constrói incessantemente, de forças que o vão compondo. E é por isto mesmo que as mudanças se tornam possíveis, pois se dão justamente nas possibilidades de novos arranjos subjetivos.

 

Iza

sufialho29 is offline

Ressalta que a experiência coletiva é a geradora de processos singulares. E que o processo de subjetivação se dá, então, no plano coletivo. A autora destaca que é impossível separar o individual do social, o singular do coletivo.

Iza, obrigada pelos teus comentários. Fique à vontade, pois toda e qualquer contribuição e troca de conhecimento é bem vinda.

 

Um abraço carinhoso.

Suelen Fialho

 

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