Participação Popular / Controle Social


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Participação Popular / Controle Social

Eliana Siqueira is offline

Existe um certo "arrepio" quando falamos em Controle Social, um certo temor em defrontar com o outro: será que ele vem me fiscalizar? será que vai ser mais fácil conseguir consulta prá minha família? será que isso vai dar certo? Pessoas com desejos diferentes dos nossos, estranhos a este lugar, mas serão contrários os interesses dos trabalhadores da saúde e dos usuários?
Logo depois que a seleção brasileira masculina de futebol, perdeu a última copa do mundo assisti a um programa de esportes em que o apresentador estava dizendo: - "Todos nós temos responsabilidade nesta derrota! Exigimos muito desse quadrado mágico, invadimos os treinos, a midia exigia mais, foram realizados jogos com equipes bem fracas por causa dos patrocinadores e o resultado de tudo isso foi ruim...
Pensei: - Será?? Não escolhi o técnico, não fui ouvida na convocação dos jogadores, se estavam em forma ou não, acima ou abaixo do peso, qual o esquema de jogo - no ataque, na defesa? - não me pediram opinião e agora querem partilhar a derrota comigo?
Usei esse caso na reunião do Conselho Gestor da minha unidade de Saúde da Família e todos foram unânimes em dizer que não se sentiam responsáveis por esse fracasso, daí começamos a discutir a co-responsabilidade no trabalho da unidade e enfatizamos que todos ali, estavam sendo convidados a sair da arquibancada e vir jogar com a gente, nessa peleja diária na unidade de saúde, discutirmos juntos o esquema de jogo: como agendar as consultas, quem teria prioridade, qual o número de vagas? Decidirmos juntos o esquema tático: quais problemas seriam enfrentados primeiro e com quais estratégias? Assim passaríamos a ser uma equipe e não meros espectadores/torcedores que iriam aplaudir ou vaiar, mas caminharmos juntos como um time só - usuários, trabalhadores e gestores - que têm afinal o mesmo objetivo - a saúde de todos e de cada um.
Assim dizendo, parece que ficamos mais próximos, cada um no seu lugar, apresentando seu ponto de vista, os quais queremos mesmo que sejam diferentes para que juntos possamos ver as coisas sob diversos olhares e decidirmos por onde ir, ao longo do caminho, poderemos ainda acertar os rumos, mudar estratégias, assumindo todos as glórias ou críticas pelos resultados, mas com a certeza de que estamos juntos nessa luta.
Assim o arrepio passa, o temor diminui e nos encontramos sentados lado a lado,jogando juntos, trabalhadores e usuários, definindo os rumos e o modo de caminhar da nossa unidade de saúde.
Eliana

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 6 COMENTÁRIOS

Clara is offline

Legal, Eliane, nos conte mais, a continuação....
ainda não sabemos bem como incluir os usuários do SUS nas mudanças e melhorias nas unidades, temos medo, "arrepios", mas quando conseguimos ser mesmo um time jogando junto, deve dar muito certo !
um abraços
Clara

Eliana Siqueira is offline

Oi, Clara
Puxei esse assunto nesta rede prá começarmos a nos aventurar nesse caminho da inclusão do usuário, já estamos na segunda eleição de conselheiros, tem sido uma experiência ótima, inclusive 3 deles têm depoimentos gravados na Mostra do SUS que dá certo. 
Irei colocando as experiencias e vamos continuar nos afetando nesta rede de conversas.
Beijos com carinho prá vc.
Eliana

Eliana

 

eneida vandoni is offline

 Eliana querida! Quanta inspiração! É verdade pessoal as coisas aqui em Mato Grosso, vem acontecendo dessa forma mesmo que a Eliana relata acima. Refletimos o cotidiano e dele re-inventamos um novo, ou o novo. Pensem vocês...reflexões advindas de um jogo de futebol... deu "pano prá manga", até conseguir em roda, convocar os que carinhosamente jogam bola, os que chutam a bola, os que a passam simplesmente, os que a vê e deixam passar, ou aqueles que nem a vê, aqueles que driblam bola e parceiros, e os que não pegam nela pois ficam de fora, gritando, reclamando, criticando incapazes de  apontantarem um destino favorável para ela, como um modo de desafio para alcançar a vitória, ou ainda os pobres e bons, que ficam assistindo-a rolar  sofrendo por se sentirem espectadores e não poderem opinar. É pessoal, a vida é um jogo, precisamos saber levá-la com maestria, sabedoria, é brincadeira séria. Quando conseguimos, a partir de um simples jogo de bola, de cintura, de queimada (aquele feito com bola de meia, do nosso tempo de criança, quem se lembra?), jogo político, e conseguimos observar as coisas sérias e crueis que vimos assistindo analisando com um olhar filosófico, assimilando com uma postura cidadã, introspectando-a para o crescimento do nosso eu, olhando com o lado lúdico da criança, e trazendo tudo isso de volta para nosso plano, buscando uma pitada de cada uma dessas análises, para a busca de um tempero especial que nos leve ao delírio real. Por que não podemos delirar??? Podemos e devemos sim, ou pensam que a nossa roda de conversação não deve ter sido originária da tão milenar brincadeira de roda, onde giramos de mãos dadas com força e cumplicidade para que o outro não caia, não se machuque, ou a roda se abra? Continuemos todos assim, brincando de roda, jogando futebol, mas todos voltados para o firme propósito em nossa aposta. O SUS que dá CERTO apoiados na PNH.
Parabéns Eliana, e obrigada por poder fazer parte dessa roda, desse jogo, dessa equipe que se fortalece a cada dia. Beijos Eneida.
Eliana Siqueira is offline

Eneida é com grande prazer que participo desta equipe/coletivo-MT, estar com vcs, conversar em roda, incluir, reunir, renovar forças é o que sinto compartinhando com vc e com todos os apoiadores que estão conosco neste caminho.
Vamos continuar incluindo, mais e mais pessoas, incluindo os usuários e os gestores, fazendo esse jogo cada vez mais coletivo e esse coletivo cada vez mais forte.
Beijos
Eliana

 

Marivanda Eilert is offline


Fantastica esta sua interpretação.O protagonismo ainda no SUS é um desejo virtual para muitos.Eles esquecem que estão incluidos,mas ficam nas beiras ou nas eiras,na espera do vento ou do movimento.
Curiosamente,se me permiti,comparo a sua atitude como a de um atleta de revezamento,que tem que passar para cada um da equipe o bastão,para que todos se sintam co-responsáveis do sucesso ou insucesso.
"A culpabilidade só existe onde não há atitude,protagonismo".
Portanto amiga,sopra esta vela que o seu barco vai longe.
Sucesso,com carinho, 
Marivanda.   
Eliana Siqueira is offline

Oi, Marivanda
Legal a comparação com a corrida de revezamento, mas acho que nessa corrida aqui, precisamos além de passar o bastão incentivando o protagonismo, queremos que todos continuem correndo juntos e não parem após ter passado o bastão, vamos juntos!
Beijos
Eliana

 

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