Temporão: internação compulsória não resolve problema das drogas
Alguns dias após a Prefeitura de São Paulo ter afastado o psiquiatra Raul Gorayeb, que coordenava o CAPS do centro de São Paulo, em razão de o médico ter se recusado a internar menores usuários de crack por avaliar que as internações eram desnecessárias (saiba mais no post de Ricardo Teixeira), o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, veio a público declarar que a internação compulsória não resolve o problema das drogas, sinalizando que este posicionamento estará contido no Plano Nacional Interministerial de Combate ao Uso de Drogas encomendado pelo presidente Lula. Confira abaixo matéria da Agência Brasil sobre o assunto.
Temporão diz que internação compulsória não resolve problema das drogas
Amanda Cieglinski
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, sinalizou que o plano nacional interministerial de combate ao uso de drogas, solicitado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deve se posicionar contra a internação compulsória. Ele esteve hoje (5) no Congresso Nacional para o lançamento da Frente Parlamentar Mista de Combate ao Crack.
“A legislação brasileira não permite a internação compulsória, o Ministério Público tem que ser avisado no caso dessas situações. Também não vejo com simpatia uma ideia meio mágica que é retirar da nossa frente o problema e trancá-lo em alguma sala, sem o olhar de frente. É claro que as pessoas em situação de risco – para si ou para outros – têm que ser tratadas, mas essa não é a solução dos problemas”, afirmou.
Segundo o ministro, não há um prazo para que o plano seja lançado, mas deve sair “o mais rápido possível”. O projeto está sendo elaborado por várias pastas, entre elas os ministérios da Saúde, Educação e Justiça.
Fonte: Agência Brasil, 05/05/2010
- Blog de Bruno Aragão
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Comentários
Desamparo
Olá,
fiquei muito feliz em encontrar esta discussão na rede.
Sou trabalhadora do SUS e atuo há 8 anos, como profissional de educação física, na recuperação de dependentes químicos. Vejo a cada dia o desamparo total destes usuários e de suas famílias e a necessidade de o Estado assumir realmente a responsabilidade pelo problema. Hoje mesmo vivi a sensação de impotência quando uma amiga pede ajuda para seu irmão usuário de múltiplas drogas, incluindo o "famoso" crack. O que fazer? O que orientar se a informação principal é que ele não deseja tratamento. Será que não deseja? Será que sabe o que deseja? E a assistência a esta família? E o sofrimento psiquico que passa este rapaz? Que autonomia ele tem?
Realmente não tenho condições de dizer se a internação compulsória é válida ou não. É fato que não resolve o problema, como também não resolve uma internação eletiva, ou um ano em uma comunidade terapêutica...nada disso resolve!
Este problema é tão, mas tão amplo, que a saúde sozinha jamais dará conta e continuará colocando panos quentes na situação.
Apesar de tudo, ao menos a discussão está posta, e isto é fundamental em qualquer processo.
Katia Fpolis
resposta aos comentarios
Não, sei se as vcs que fizeram os comentários ja passaram por um problema ligado as drogas, mas eu posso dizer que sim, tem um irmão usuário de crak, vcs não podem intender, nem imaginar o q é passar por esse problema sem ter vivenciado, ver uma pessoa da
Ainda que,
Ainda que não se saiba exatamente como fazer, como tecer estratégias em meio a este contexto tão complexo e plural, dois passos me parecem essenciais: Começar a fazer, e saber com clareza o que não resolve e o que não dá certo. ... O caminho do começo é esse.
Parabéns pela lucidez dos gestores, até aqui.
Shirley Monteiro.
Mandou bem Ministro!!!
Gostei da fala do ministro. Depois da desastrada campanha de prevenção lançada no fim do ano passado, que só contribuía para a ampliação do estigma e do preconceito (como já problematizada por mim em um post que pode ser encontrado neste link), é com grande alegria que vemos o ministro Temporão estender sua ética e seus saberes sanitaristas também para o cuidado de pessoas que usam drogas.
Assim como para todo o restante da população, aqui também é preciso compreender que saúde rima com cidadania, e com promoção de autonomia. Não se constrói autonomia com medidas arbitrárias e unilaterais.
Não há saídas simples para o problema do uso abusivo de álcool e outras drogas.
[ ]s
www.denispetuco.com.br
drogas
Denis, querido, até que enfim o ministro da saúde dirige seu olhar para esse problemão. Não está sendo nada fácil conversar com os adeptos das internações fechadas. Isolar o problema não irá resolvê-lo e vai faltar local para colocar todos os usuários dentro desse sistema. É mais do que urgente que o Ministro de posicione e nos dê argumentos concretos para continuarmos defendendo as políticas do SUS.
Ana Losso
Criciúma, SC